Porventura uma das citações utilizadas mais vezes erroneamente será a de Marx "a religião é o ópio do povo". Recuando e lendo apenas a frase anterior percebe-se com uma maior clareza o seu contexto: "A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração e a alma das condições desalmadas. É o ópio do povo".
Marx não considera a religião como algo pernicioso, mas sim um analgésico que alivia a dor causada por um mundo injusto, atenuando as amarguras e privações quotidinas com a esperança numa eternidade passada no mundo celestial.
Desta forma, a sua crítica não passa pela religião per si mas sim pelo amolecimento e perca de urgência que esta provoca à luta terrena por melhores condições, por uma sociedade mais equalitária e justa.
A sociedade de hoje é mais laica e, apesar de tudo, menos desigual que a de meados do XIX. No entanto, os "opiácios" continuam a existir, mais diversificados (vida dos famosos ou futebol) mas continuam.