Democracia (parte 1)
Hannah Arendt, nas "Origens do Totalitarismo", revela que o imperialismo moderno tem as suas raízes na acumulação de excesso de capital nos estados europeus durante o século XIX. Este capital em excesso precisava de ser investido externamente para ser produtivo e para a sua protecção tornou-se necessário que o controlo político o acompanhasse.
De regresso ao século XXI, Portugal vive uma pré-campanha eleitoral e, por muito que custe ao Dr. Catroga, a discussão será sempre sobre pentelhos porquanto o essencial encontra-se pre-determinado: o capital investido pelos bancos franceses e alemães encontrava-se em risco pelo que foi necessária um controlo político mais estreito para o defender.
Esta colonialização de Portugal é vista favoravelmente por grande parte da população: é um castigo aos lideres, que conduziram o país até aqui, e ao nosso povo bárbaro. Anseiam a vinda de um conjunto de tecnocratas estrangeiros, sem legitimação democrática, a decidir os destinos do país desde que exista resultados. O importante é apenas isso: resultados. A democracia é um mero pentelho neste pensamento, o importante é apenas saber se somos bem governados.
Nem vou discutir aqui se os interesses destes tecnocratas correspondem aos interesses de Portugal mas qual é a diferença entre aceitar isto ou aceitar a sujeição a um déspota iluminado?