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Dois Olhares

"Wovon man nicht sprechen kann, darüber muß man schweigen."

O género das palavras nunca, ou raramente, são aleatórias, fruto de meras coincidências. Na sua génese há uma explicação, uma sombra metafísica que penetra, que lhes dá uma carga especial. 

 

É assim sem surpresa que a palavra "bússola" é feminina. A Mulher, quem mais, ajuda-nos a chegar ao nosso destino. Ela é a origem: o ventre, a mãe natureza. Ela é o fim: a casa que ansiámos chegar no fim do dia, os braços aparentemente fracos mas que nos suportam como na Pietà. Novalis afirmou "Casa. Viajamos sempre para casa." ao que acrescento que ela, a Mulher, é sempre a nossa casa, que nos prende à Terra, que dá significado. 

"But he wanted to believe it too, the same way he loved her, past all words - believe that no matter how hard the time, nothing was fixed, everything couldbe changed and she could always deny the dark sea at his back, love it away." 

 

Nos meus tempos de escola havia um jogo de cartas no qual um dos jogadores tomava a posição da banca, e sempre que havia um empate a vitória sorria a este, seguindo a frase "empate empate ganha o banqueiro". Eu não apreciava muito este jogo - a não ser que fosse o banqueiro - porque achava injusto esta primazia sobre os restantes jogadores.

 

Agora já crescido verifico que já não seria mau se o banqueiro apenas ganhasse quando fosse empate: entre 2008 e 2010 a zona euro entregou à banca 1,6 biliões de euros (a juros baixos), o que equivale a 18% do montante da "ajuda" a Portugal, Irlanda e Grécia (a juros bem mais elevados). Se pensarmos que parte desta "ajuda" teve como destino o resgate de alguns bancos e avales a outros verifica-se que existe um verdadeiro roubo. Uma transferência de recursos enormes para instituições financeiras sem quaisquer contrapartidas ou reformas importantes das suas actuações especulativas.

 

E não se vê o fim. No passado dia 27 o BCE reforçou o financiamento à Banca, que pode atingir os € 470 mil milhões a taxas de juros a rondar 1%. No fundo os actuais banqueiros são todos anarquistas - como descreveu Fernando Pessoa - livres, livres de todas as ficções sociais.

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