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A mudança da Jerónimo Martins para a Holanda tem sido alvo de diversas criticas infelizes. Apesar de diversa propaganda em sentido contrário, as empresa têm um único fim: o lucro. Este é o seu objectivo, o resto - a ideia de defesa da comunidade, apoio à produção nacional, preocupações ambientais, o não fazer mal googleano - é puro marketing.
As empresas não se regem pelo bem da comunidade, pela saúde da economia ou finanças de determinado país, mas sim pelo seus interesses - conforme comprovou a PT ao antecipar a distribuição dos dividendos exponenciados pela actuação do Governo -, e é natural que assim seja, e quando mais rapidamente isso for admitido melhor.
No espaço público nenhum interveniente (empresas, trabalhadores, etc) usa o "véu de ignorância" de Rawls, cada um deles procura defender o seu interesse individual, que este seja privilegiado e sobreposto sobre os demais.
O estado é a única entidade que tem a função de zelar pelo interesse público, de ponderar os diferentes e legítimos interesses de cada um, optando pela opção que se apresentar mais justa, o que por vezes não significa que traga melhores resultados, não é, ou não deve ser, uma opção utilitarista.
Infelizmente, desde os anos 70 do século passado o estado, não só o português, tem desequilibrado a balança ao equiparar os interesses empresariais aos interesses do país, e como ensinou Aristóteles o desequilíbrio é sempre mau.
* Personagem de Catch 22 - Milo is a satire of the modern businessman, and beyond that is the living representation of capitalism, as he has no allegiance to any country, person or principle unless it pays him.
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