No alarms and no surprises
"Nobody panics when things go according to plan, even if the plans are horrifying.", Joker.
Lembrei-me desta frase quando, de repente, instalou-se o pânico com a eventual queda do Governo. Sim, o défice no primeiro trimestre do ano atingiu os 10,6%; a dívida pública agrava-se; o desemprego aumenta; a recessão não tem fim à vista. Mas, para muitos, o pior que podia acontecer era a queda do Governo.
Algo que não se poderá dizer é que esta política não resulta. Ela tem resultados. Algumas vozes até afirmam que estes sempre foram os realmente pretendidos: redução dos salários, aumento das desigualdades sociais e do fosso entre ricos e pobres; eliminação do estado social.
Pretendidos ou não, a verdade é que estes são esperados. Existe uma espécie de consenso nacional da inevitabilidade do empobrecimento. Sem surpresas verifica-se que entre um comprovado mau plano e um salto no desconhecido, a escolha recaí quase sempre na primeira opção.