Terça-feira, 10.01.12

Acima de tudo coerência

 

1 - O economista Eduardo Catroga sustenta que face ao actual momento de crise financeira Portugal perdeu uma "oportunidade histórica" de reduzir salários nos sectores público e privado, defendendo um corte médio de 10% nos vencimentos.

"O que eu diria é que haveria uma redução salarial e pagava o 13º e 14º mês em obrigações do Tesouro (...) Mas não aumentava os impostos", disse Eduardo Catroga, durante uma tertúlia no Casino da Figueira da Foz.

 

 

 

2- Eduardo Catroga terá uma remuneração anual de quase 639 mil euros caso seja eleito presidente do Conselho Geral e de Supervisão eléctrica portuguesa na assembleia geral de 20 de Fevereiro. O Correio da Manhã cita o relatório sobre o governo da sociedade, com os valores ganhos pelo seu antecessor, António de Almeida. O ordenado será de 45 mil euros por mês, que acumulará com uma pensão de mais de 9600 euros.


 

Questionado pelo jornal, Catroga desvaloriza: “50% do que eu ganho vai para impostos. Quanto mais ganhar, maior é a receita do Estado com o pagamento dos meus impostos, e isso tem um efeito redistributivo para as políticas sociais”.


 

Sobre a pensão da Caixa Geral de Aposentações, Catroga frisou que descontou “40 anos para o sector privado e 20 para o sector público”.

 

 

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CRG às 14:57 | link do post | comentar
Sexta-feira, 02.12.11

Do pib

 

Uma das gaffes mais conhecidas da política portuguesa é a do então candidato Guterres a tentar calcular o PIB, terminando com a famosa frase "é fazer a conta". Se o valor do PIB decorre de simples aritmética, a sua importância e o seu verdadeiro significado não é assim tão linear ou, pelo menos, não o devia ser.

 

A verdade assente e acrítica de que existe uma correlação entre a subida do PIB e a qualidade de vida de um país - se o PIB sobe é porque o país está a caminhar na direcção certa - não era sequer defendida por Kuznets, prémio Nobel da Economia, que liderava a equipa de economistas que criou o cálculo do PIB, que avisou que “O bem-estar de uma nação não pode, desta forma, ser aferido através do cálculo do seu PIB".

 

Não se trata de monesprezar o PIB mas retirar a sua excessiva importância. Relativizar o PIB, um indicador entre outros igualmente importantes como a qualidade de vida, a saúde, a igualdade, o bem-estar... 

 

Porque o problema é que: "A country, for example, that overemphasizes G.D.P. growth and market performance is likely to focus policies on the big drivers of those — corporations and financial institutions — even when, as during the recent past, there has been little correlation between the performance of big businesses or elites and that of most people."

 

Fontes: The Rise and Fall of the G.D.P.; Redefining the Meaning of no. 1 e Ladrões de Bicicletas

 

 

 

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CRG às 16:55 | link do post | comentar
Quinta-feira, 24.11.11

Ir à luta!

 

Quantas vezes os nossos desempregados terão ouvido esta frase? É preciso ir à luta, dizem com paternalismo, como se a culpa fosse deles, dos desempregados, que se portaram mal e agora sofrem o castigo, e, para a sua redenção, precisam de ir à luta. 

 

A ideia de justiça é uma noção reconfortante: se cumprirmos as regras, se trabalharmos bem e esforçadamente, seremos recompensados, não teremos problemas, o nosso mérito será reconhecido.

 

Surpresa, a vida não é justa, não existe uma relação causal newtoniana mas uma incerteza quântica, que, a qualquer altura, pode atingir qualquer pessoa: a deslocalização ou insolvência de uma empresa, a extinção do seu posto de trabalho... A dependência face a factores externos, incontroláveis; a admissão da nossa própria limitação perante o nosso futuro; a insegurança são pensamentos demasiado aflitivo, torna-se conveniente o refúgio que o sucesso está ao alcance de suor, sangue e lágrimas. 

 

A fria realidade é que 32,2% dos desempregados têm 45 ou mais anos, de acordo com os dados mais recentes do INE, . Assim, antes de exortarem à luta, perguntem quantas empresas encontram-se dispostas a admitir estas pessoas, "velhas" segundo as actuais tendências, para a luta como seus trabalhadores colaboradores.

CRG às 11:27 | link do post | comentar
Quinta-feira, 27.10.11

...uma raiva a nascer-te nos dentes

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CRG às 21:59 | link do post | comentar
Terça-feira, 25.10.11

Porque sim

Não há criança/adolescente que nunca tenha ouvido um "porque sim". Esta frase irritante, que poderia adoptar diversas formas (ex: porque eu mando), marcava o fim de qualquer discussão, todos os argumentos esbarravam nesta intransigência do poder paternal.

 

No entanto, este poder é marcadamente autoritário, um despotismo iluminado e é conveniente que assim seja, pelo que uso regado deste instrumento não é so necessário como imprescindível para o bom funcionamento da família.

 

Sucede que se vive actualmente um período de "porque sim" na política. As medidas diariamente anunciadas revestem um manto de inevitabilidade, o que esvazia qualquer debate possível.

 

Ora, um sistema democrático saudável não pode proceder desta forma, descurando a argumentação ou partindo de uma conclusão falaciosa, que é a inexistência de alternativas.

 

Se numa primeira instância esta estratégia pode colher frutos, a médio e a longo prazo provocará uma erosão das bases da democracia, porque estará a excluir do debate público todos aqueles que discordam do caminho traçado. Estes olharão para o sistema como algo ineficaz a necessitar de uma profunda reparação pelo que o tentarão combater ou refundar externamente (ex: os movimentos a favor de uma democracia mais directa).  

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CRG às 15:02 | link do post | comentar
Quarta-feira, 19.10.11

Reserva mental

Se a discussão política em Portugal é unanimamente apelidada como pobre, se existe uma visão redutora da classe política como sendo todos iguais, a verdade é que estes também não ajudam a desmistificar esta noção.

 

Um partido político que se candidata com um programa específico assente no corte de gorduras de estado, no fim a uma maior tributação da população e numa suposta verdade, conforme é visível neste pequeno vídeo, não pode, chegado ao poder, lançar todas estas promessas às urtigas.

 

Um partido político quando se candidata está a fazer uma espécie de contrato promessa com o eleitorado, que o escolhe no pressuposto de ver essas medidas implementadas. Sucede que ao ser celebrado esse contrato havia por parte do PSD reserva mental, porquanto reservava para si a intenção de não cumprir o acordado.

 

A democracia apenas poderá subsitir enquanto tal se aquilo que for sufragado corresponder às políticas que efectivamente são aplicadas, sob pena de se transformar numa lotaria, numa farsa. 

CRG às 13:06 | link do post | comentar
Terça-feira, 27.09.11

Na crista da onda

Numa altura de grave crise económica e social, desemprego e inflação elevada, e queda dos salários reais ouvir a Ministra do Ambiente afirmar que o preço da água vai aumentar para evitar desperdício só pode ser uma piada de muito mau gosto.

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CRG às 23:26 | link do post | comentar
Terça-feira, 20.09.11

Conselho para Passos lidar com Jardim

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CRG às 10:55 | link do post | comentar
Quinta-feira, 14.07.11

Todos no mesmo barco...

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CRG às 11:15 | link do post | comentar
Segunda-feira, 27.06.11

The Night They Drove Old Europe Down

CRG às 23:03 | link do post | comentar

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