Segunda-feira, 15.07.13

Portugal, um país de reformas

Em Portugal, todos os governos gostam de usar a linha propagandista: "somos um governo reformista". Não é, por isso, de estranhar que as duas principais figuras do Estado - Presidente da República e Presidente da Assembleia da República - sejam reformados.

 

Acontece que apesar de todo este ímpeto, a crise chegou a Portugal. O problema, ao que parece, era falta de reformas. Já tinham sido gastas todas as reformas nacionais, por isso foram importadas reformas do estrangeiro. Estes técnicos preparadíssimos iam colocar os mandriões dos portugueses na linha.

 

Afinal, os resultados não foram os previstos. Os técnicos eram bons, disso não há qualquer dúvida, porém não eram conhecedores da realidade portuguesa, e os portugueses, enfim já se sabem como são. 

 

E agora? Bom, são precisas mais reformas e estas não podem parar, pelo que a segunda melhor opção  -  a primeira seria um ditador - passa por celebrar um acordo de salvação nacional que mantenham em curso as necessárias reformas.

 

Enquanto o país continua a ser um gigantesco estaleiro, os jovens emigram, os nascimentos são menores que as mortes, e verifica-se um continuado envelhecimento demográfico.

 

Rumo a um país só de reformas.

tags:
publicado por CRG às 15:23 | link do post | comentar
Segunda-feira, 25.02.13

Truísmos

O uso excessivo de ironia fez com que esta, em vez de servir como forma de desmascarar as hipocrisias da realidade, se transformasse num instrumento de defesa sofisticado destinada a justificar compromissos, a desculpabilizar a realidade, permitindo que os seus utilizadores planassem sobre esta. No fundo passou a ser um artificio utilizado pelo prisioneiro que ficou a adorar a sua cela.

 

A tirania da ironia revela-se não só na realpolitik mas na submissão resignada do sujeito ao mundo que o rodeia: a aceitação consciente do estado das coisas actuais e futuras e correspondente aproveitamento sob o manto de "todos assim o fazem".

 

A discordância dessa imutabilidade, a esperança numa verdadeira mudança é visto com sobranceria: um desejo simplista e anacrónico, defendido por demagógicos e populistas. 

 

Intelectualizou-se tanto que os truísmos, as verdades evidentes por si mesmas, e todos os resquícios de moralidade são considerados datados, uma ingenuidade de outros tempos, mais simples, inaplicáveis aos tempos complexos de hoje. Um tempo de difusão de responsabilidades da qual o sujeito abdica em nome da liberdade para nada fazer.

publicado por CRG às 15:24 | link do post | comentar

mais sobre mim

pesquisar neste blog

 

posts recentes

últ. comentários

  • Ups, as minhas desculpas :)
  • sem leitores o tanas
  • só posso assinar por baixo do que escreveu!!! Beij...

arquivos

tags

links

subscrever feeds

blogs SAPO

Statcounter