Sexta-feira, 30.09.11

Baixa-Chiado PT Blue Station

Ao ler que a PT vai patrocionar a estação de metro Baixa-Chiado, lembrei-me de Infinite Jest: o Estado para angariar dinheiro vendia o nome dos anos, desta forma, em vez de 2004 ou 2005 teriamos o ano do whopper ou o ano da barra Dove. 

 

A beleza da grande literatura, uma vez que consegue destilar, melhor do que qualquer outra coisa, a alma humana, é conseguir ser um portal para o futuro.

 

Os apoiantes desta medida dirão que não há qualquer mal neste negócio, porquanto servirár para financiar uma empresa pública com um enorme buraco financeiro.

 

A verdadeira questão é que as coisas actualmente deixaram de ter um determinado valor para ter apenas um preço. E quanto assim é onde será traçado o limite? Porque não vender o nome das ruas ou dos monumentos? A Torre Viagra dos Clérigos ou o Padrão dos Descobrimentos com Google?

publicado por CRG às 11:30 | link do post | comentar
Terça-feira, 24.05.11

Leituras

Como diz John Self: ler tira-nos muito tempo, ir, por exemplo, da página 21 à 29, tem que se passar pela página 23, 25, 27, sem contar com as páginas pares 24, 26, 28; demora demora.

 

Acresce que se vive cada mais rápido. Fast-food. Speed dating. Eliminam-se tempos mortos: ouve-se música, liga-se iphone, net, e-mails, facebook, abre-se aplicação, joga-se angry birds, lança-se um tweet, check-in na padaria...Não se desperdiça tempo: multi-tasking. Já não se espera. Saca-se o último episódio da série, que estreou apenas ontem, no lado de lá do Atlântico, para o ver no ipod a caminho do trabalho.

 

Neste contexto, como posso sugerir a leitura de um livro com mais de 1000 (mil!) páginas e centenas de notas de rodapé, algumas que se prolongam por várias páginas? Como posso sugerir a leitura de um livro cujo autor ao longo dessas mais de 1000 (mil!) páginas por vezes parece abusar da atenção e da paciência do leitor com pormenores demasiado detalhados sobre questões laterais? Como posso sugerir um livro de difícil leitura, é uma espécie de puzzle que se vai lentamente construindo? Como posso sugerir um livro que não se encontra traduzido em português e presumo que não o será num tempo tão próximo? Como posso sugerir um livro que tem o seu próprio wikipedia?

 

Sempre poderei falar da crítica, dos prémios, do impacto que teve e que ainda têm na cultura americana. No entanto, corre-se o risco de ser mais um daqueles livros que todos compram e que ninguém lê. Recuso-me, igualmente, a afirmar que o livro mudará a vida de alguém ou que é de leitura obrigatória. Nenhum é. 

 

Assim, apenas digo que adorei todas as longas horas que "perdi" com ele. Encontra-se repleto de pequenos brindes e pérolas, de humor, de tristeza, de filosofia. É uma obra de verdadeiro génio.

publicado por CRG às 11:36 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Segunda-feira, 16.05.11

Infinite Jest

What metro Boston AAs are trite but correct about is that both destiny's kisses and its dope-slaps illustrate an individual person's basic personal powerlessness over the really meaningful events in his life: i.e. almost nothing important that ever happens to you happens because you engineer it. Destiny has no beeper; destiny always leans trenchcoated out of an alley with some sort of Psst that you usually can't even hear because you're in such a rush to or from something important you've tried to engineer.

publicado por CRG às 18:34 | link do post | comentar

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