Quinta-feira, 05.12.13

Dos que vão.

Já vários amigos meus abandonaram o país. Dos que cá estão, poucos são os que não pensam em sair. Por isso, ver esta promo da sic notícias leva-me ao choro. Sim, estou a ficar um lamechas.

 

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publicado por JSP às 12:33 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Segunda-feira, 13.05.13

Mar Negro

Tal como o Woody Allen eu também considero que as melhores lições de vida são reveladas em velhas anedotas, como aquela em que dois jovens peixes estão a nadar tranquilamente no oceano quando passam por um outro peixe mais velho, que lhes acena e diz "Bom dia, rapazes! Como está a água?" Os dois peixes continuam a nadar até que um olha para o outro e pergunta "Mas que raio é água?"

 

Pode-se continuar a debater com afinco as contradições do Paulo Portas; o alargamento de um ou dois anos a idade da reforma. O que não se pode perder de vista é a água. 

 

Ora, a falta de oxigenação e o nível de acidez do discurso político (peço desculpa por manter a mesma metáfora) transforma o espaço público num ambiente tóxico: o sentimento egoísta prevalece sobre a compaixão. Agudizou-se a divisão e o confronto entre pensionistas e trabalhadores; entre público e privado; entre pobres e remediados. 


Um passe de magia até poderá impulsionar a economia de um dia para o outro, acabando com a crise, mas estas cicatrizes vão de certo durar muito mais tempo, se é que chegam, a sarar.

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Sexta-feira, 15.02.13

Encolher os ombros

Perante os números negros do desemprego, perante a contracção de 3,2% do PIB o Governo encolhe os ombros, que, segundo Roberto Bolaño, tanto pode significar "que uma pessoa não sabia nada ou então que a realidade era cada vez mais vaga, mais parecida com um sonho, ou então que tudo ia mal e que o melhor era não perguntar nada e armar-se de paciência".

 

Ou então, digo eu, é tudo isto um pouco.

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Sexta-feira, 08.02.13

Hugo Stinnes

 

Na República de Weimar, Hugo Stinnes, um milionário industrial alemão, aumentou consideravelmente a sua fortuna aproveitando-se da hiperinflação que assolava o país. Stinnes serviu-se de empréstimos, muitas vezes do governo e de outros fontes oficiais, para especular com sucesso a contínua desvalorização do Marco alemão. 

 

Em sua defesa não se conhecem relatos de alguma vez ter dito aos seus contemporâneos para que aguentassem.

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Segunda-feira, 05.11.12

Dúvidas

Numa cena do "Mundo a seus pés", após o eclodir da grande depressão, Bernstein, funcionário de sempre de Charles Foster Kane, interroga incrédulo o banqueiro Thatcher, que veio em salvamento do império empresarial de Kane, como é que tinham chegado a isto, os custos tinham sido sempre inferiores às receitas. Oh mas os vossos métodos, respondeu o banqueiro, nunca faziam investimentos, usavam o dinheiro apenas para comprar coisas.

 

Durante anos Portugal, pressionado também pelo inefável PEC, viu-se obrigado a cortar no investimento público. Durante a última década, o investimento nacional, público e privado, caiu dez pontos para os 18% do PIB; e o investimento público ficou reduzido a metade (aqui). Compraram-se submarinos, "comprou-se" o BPN, comprou-se artificialmente a redução do deficit orçamental e até cursos superiores se compraram.

 

E agora dizem-nos é preciso cortar mais, cortar nos investimentos e empobrecer. Eu não sou economista mas nunca percebi como é que se pagam dívidas ficando mais pobre, com menos rendimento.

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Terça-feira, 06.03.12

Tempos que correm...

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Quinta-feira, 01.03.12

Alea jacta est

Nos meus tempos de escola havia um jogo de cartas no qual um dos jogadores tomava a posição da banca, e sempre que havia um empate a vitória sorria a este, seguindo a frase "empate empate ganha o banqueiro". Eu não apreciava muito este jogo - a não ser que fosse o banqueiro - porque achava injusto esta primazia sobre os restantes jogadores.

 

Agora já crescido verifico que já não seria mau se o banqueiro apenas ganhasse quando fosse empate: entre 2008 e 2010 a zona euro entregou à banca 1,6 biliões de euros (a juros baixos), o que equivale a 18% do montante da "ajuda" a Portugal, Irlanda e Grécia (a juros bem mais elevados). Se pensarmos que parte desta "ajuda" teve como destino o resgate de alguns bancos e avales a outros verifica-se que existe um verdadeiro roubo. Uma transferência de recursos enormes para instituições financeiras sem quaisquer contrapartidas ou reformas importantes das suas actuações especulativas.

 

E não se vê o fim. No passado dia 27 o BCE reforçou o financiamento à Banca, que pode atingir os € 470 mil milhões a taxas de juros a rondar 1%. No fundo os actuais banqueiros são todos anarquistas - como descreveu Fernando Pessoa - livres, livres de todas as ficções sociais.

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Sexta-feira, 16.12.11

Selling Portugal by the pound

Diante um muro - a ausência de alternativas - torna-se fundamental não só olhar para os lados em busca de outras opções como perceber quem construiu e como foi construído este muro.

 

Em 2012, as tarifas da electricidade sofrerá um aumento médio de 20% para as empresas. Numa altura que se discute a falta de competividade das empresas portuguesas, que o seu aumento seria o caminho que tiraria Portugal da actual crise, não deixa de parecer paradoxal este aumento considerável: um aumento de 1/4 do preço da electricidade, o que levará possivelmente algumas empresas a deslocalizar a sua produção para Espanha.

 

Sobretudo considerando que a EDP teve um lucro recorde em 2010 e, ao que tudo indica, aumentará esse lucro em 2011, o que indica uma invejável saúde financeira. 

 

Perante este cenário não faria sentido o Governo, em vez de procurar aumentar o horário do trabalho em meia hora ou a eliminação de feriados, o que na prática não terá efeitos reais na produtividade, diligenciar no sentido de pelo menos manter, durante os próximos dois anos, o preço das tarifas de electricidade inalterável para as empresas.

 

Dir-me-ão que a EDP é privada. E eu digo "pois!". 

 

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Segunda-feira, 12.12.11

Cimeira

"Proverbs for Paranoids, 3: If they can get you asking the wrong questions, they don’t have to worry about answers."
Thomas Pynchon - Gravity's Rainbow

 


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Terça-feira, 29.11.11

O discurso que gostava de ter ouvido durante esta crise...

Esta é preeminentemente o momento de falar a verdade, toda a verdade, francamente e corajosamente. Nem precisamos de recuar para honestamente enfrentar as condições do nosso país hoje. Esta grande nação resistirá como resistiu, revive e vai prosperar. Então, em primeiro lugar, deixe-me afirmar a minha firme convicção de que a única coisa que devemos temer é o próprio medo, sem nome, irracional, o terror injustificado que paralisa os esforços necessários para converter a retirada em avanço. (...)

 

(...) as nossas dificuldades comuns. Dizem respeito, graças a Deus, apenas a coisas materiais. Valores recuaram para níveis assoladores, os impostos subiram, a nossa capacidade de pagar caiu; governo de todos os tipos viu os seus níveis de rendimento reduzidos; as trocas comerciais congelados; a indústria estagnada; agricultores não encontram mercados para seus produtos, as economias de milhares de famílias se evaporaram.

 

Mais importante, um grande número de cidadãos desempregados enfrentam o problema sombrio da sobrevivência, e um número igualmente elevado trabalha com pouco retorno. Somente um optimista tolo pode negar as realidades complicadas do momento.

 

(...) Face ao fracasso de crédito a solução que propõem é apenas emprestar ainda mais dinheiro. Despojado da atracção do lucro pelo qual induziram o nosso povo a seguir a sua liderança falsa, eles recorreram às exortações, implorando em lágrimas para que a confiança seja restabelecida. Eles sabem apenas as regras de uma geração de individualistasEles não têm visão, e quando não há visão o povo perece.

 

Os especuladores e gurus do mercado fugiram dos seus tronos elevados no templo da nossa civilização. Podemos agora restaurar esse templo às verdades antigas. A medida da restauração encontra-se na medida em que aplicamos os valores sociais mais nobres do que mero lucro monetário.

 

A felicidade não se encontra na mera posse de dinheiro, reside na alegria da conquista, na emoção do esforço criativo. A alegria e a estimulação moral do trabalho não devem ser esquecidas na perseguição louca de lucros evanescentes. Estes dias escuros valerão a pena tudo o que nos custou, se eles nos ensinarem que o nosso verdadeiro destino não é para sermos servidos mas para servir a nós mesmos e aos nossos semelhantes.

 

O reconhecimento da falsidade da riqueza material como o padrão de sucesso anda de mãos dadas com o abandono da falsa crença de que o cargo público e a posição política devem ser avaliados apenas pelos padrões de orgulho do lugar e do lucro pessoal; e tem que chegar ao fim uma conduta no sector bancário e nos negócios que muitas vezes confundiu confiança com a transgressão insensível e egoísta. (...)

 

A nossa maior tarefa primordial é colocar as pessoas a trabalhar. Este não é um problema insolúvel se for enfrentado com sabedoria e coragem. Pode ser realizado em parte através do recrutamento directo pelo próprio Governo, tratando a tarefa como nós trataríamos a emergência de uma guerra, mas ao mesmo tempo, através deste trabalho, realizando projectos essenciais para estimular e reorganizar o uso do nosso naturais recursos.

 

Ao mesmo tempo, devemos francamente reconhecer o desequilíbrio da população nos nossos centros industriais e, fazendo uma redistribuição, esforçar-se por proporcionar uma melhor utilização da terra (...). Ele pode ser realizado pelo planeamento nacional e supervisão de todas as formas de transporte e de comunicações e outros serviços que tenham um carácter definitivamente público. Há muitas maneiras em que podem ajudar, mas nunca pode ser efectuado meramente falando sobre isso. Temos que agir e agir rapidamente.

 

Finalmente, no caminho para a retoma do trabalho, torna-se necessária a existência de duas salvaguardas contra um retorno dos males da velha ordem; deve haver uma estrita supervisão de todos os serviços bancários e de créditos e investimentos, deve haver um fim à especulação com o dinheiro de outras pessoas, e deve haver disposição para uma moeda adequada e credível. (...)

 

Discurso de posse de Franklin D. Roosevelt (tradução minha)

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Quinta-feira, 24.11.11

Ir à luta!

 

Quantas vezes os nossos desempregados terão ouvido esta frase? É preciso ir à luta, dizem com paternalismo, como se a culpa fosse deles, dos desempregados, que se portaram mal e agora sofrem o castigo, e, para a sua redenção, precisam de ir à luta. 

 

A ideia de justiça é uma noção reconfortante: se cumprirmos as regras, se trabalharmos bem e esforçadamente, seremos recompensados, não teremos problemas, o nosso mérito será reconhecido.

 

Surpresa, a vida não é justa, não existe uma relação causal newtoniana mas uma incerteza quântica, que, a qualquer altura, pode atingir qualquer pessoa: a deslocalização ou insolvência de uma empresa, a extinção do seu posto de trabalho... A dependência face a factores externos, incontroláveis; a admissão da nossa própria limitação perante o nosso futuro; a insegurança são pensamentos demasiado aflitivo, torna-se conveniente o refúgio que o sucesso está ao alcance de suor, sangue e lágrimas. 

 

A fria realidade é que 32,2% dos desempregados têm 45 ou mais anos, de acordo com os dados mais recentes do INE, . Assim, antes de exortarem à luta, perguntem quantas empresas encontram-se dispostas a admitir estas pessoas, "velhas" segundo as actuais tendências, para a luta como seus trabalhadores colaboradores.

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Segunda-feira, 17.10.11

Da coragem

"Ficamos insensíveis ao custo humano de determinadas políticas, aparentemente racionais, especialmente se formos avisados que as mesmas irão contribuir para uma prosperidade global e consequentemente para o nosso interesse individual." - Tony Judt

 

As medidas de austeridade anunciadas pelo nosso Primeiro-Ministro foram apelidadas de corajosas e de inevitáveis.

 

Se os filmes do Jackie Chan ou do Arnold me ensinaram algo, esse algo foi a definição de coragem. Nos filmes destes "heróis" nunca os vi enviarem para a luta os que estavam a proteger, enquanto ficavam atrás a assistir.

 

Na 1ª Guerra Mundial, os generais que ordenavam investidas atrás de investidas contra as linhas inimigas, munidas de artelharia pesada, ficando um rasto de mortos e feridos na terra de ninguém, enquanto ficavam nos seus gabinetes, na rectaguarda, não eram de certo corajosos. 

 

Por outro lado, admitindo que estes cortes eram inevitáveis, como foi devidamente apregoado, como se poderia considerar essa medida corajosa quando não haveria outra solução. Coragem será seguir um caminho supostamente inevitável? Seguir a estrada mais percorrida, sem imaginação ou um qualquer golpe de asa, é visto agora como um acto corajoso. 

 

Mas e será que não haveria?

 

Ora, de acordo com o Conselho Europeu de 21 de Julho um país que cumpra integralmente integralmente o acordo de assistência financeira continuará a beneficiar do apoio das instituições internacionais mesmo que, no final do acordo, tenha dificuldades de acesso aos mercados financeiros internacionais.

 

Se assim é porque é que foram tomadas medidas que vão muito além do que foi acordado com a Troika? 

 

É preciso ter coragem para fazer este embuste.

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Quarta-feira, 28.09.11

Crise (parte 1)

Porventura uma das citações utilizadas mais vezes erroneamente será a de Marx "a religião é o ópio do povo". Recuando e lendo apenas a frase anterior percebe-se com uma maior clareza o seu contexto: "A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração e a alma das condições desalmadas. É o ópio do povo".

 

Marx não considera a religião como algo pernicioso, mas sim um analgésico que alivia a dor causada por um mundo injusto, atenuando as amarguras e privações quotidinas com a esperança numa eternidade passada no mundo celestial.

 

Desta forma, a sua crítica não passa pela religião per si mas sim pelo amolecimento e perca de urgência que esta provoca à luta terrena por melhores condições, por uma sociedade mais equalitária e justa.

 

A sociedade de hoje é mais laica e, apesar de tudo, menos desigual que a de meados do XIX. No entanto, os "opiácios" continuam a existir, mais diversificados (vida dos famosos ou futebol) mas continuam.

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Segunda-feira, 29.08.11

Yossarian vive...

 

Numa das grandes obras literárias de sempre (sendo certo que sou dado a exageros, neste caso considero esta frase um tudo ou nada ponderada), Yossarian, a personagem principal de "Catch - 22", é confrontada não só com o absurdo da guerra e da própria existência, mas sobretudo com a forma como a guerra é aproveitada, sob o manto de patriotismo e bem comum, para favorecimento pessoal: as personagens de chefia, e não só, procuram satisfazer as suas necessidades individuais, quer estas sejam de riqueza, quer sejam de glória.

 

Este impulso individualista, uma das conquistas mais importantes do iluminismo, tem vindo a tornar-se pouco a pouco homogéneo no nosso pensamento, sobrepondo-se à ideia de família, comunidade, sociedade, cujos laços são cada vez mais ténues. Porventura como reacção aos sistemas totalitários que procuravam a sobreposição do Estado sob o indivíduo, diluindo-o numa massa seguidora e acrítica, este individualismo foi acelerado no pós 2ª Guerra Mundial.

 

Um dos pequenos pormenores que exemplificam esta tendência são os desportos mais recentes, os denominados desportos radicais, que rejeitam o colectivo ou o diálogo com o adversário, como o ténis, e procuram apenas o grau de perícia individual do praticante.

 

Este impulso, em vez de ser domado e usado com parcimónia, foi objecto de celebração; fundamentado numa teoria utilitarista, foi difundido a ideia de que o bem comum é o resultado do maior número de necessidades individuais saciadas. Parte da crise actual está assente neste excesso individualismo: "O que é racional do ponto de vista individual – cada empresa, para sobreviver e prosperar, corta os custos laborais cada vez mais –, ignora que os meus custos laborais são os rendimentos e o consumo de alguém".

 

No entanto, a questão não se pode apenas cingir ao comportamento das empresas mas também do consumidor individual que, na tentativa de fugir a preços mais altos refugiou-se no monopólio das grandes marcas e das grandes superfícies, o que conduziu à morte lenta do pequeno produtor e do comércio tradicional. 

 

Por isso quando olho para as ruas do Porto, por exemplo para a Rua Júlio Dinis, coberta de lojas encerradas ou em liquidação total, não posso deixar de me sentir culpado.

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Segunda-feira, 27.06.11

The Night They Drove Old Europe Down

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Quinta-feira, 02.06.11

Barcos Gregos

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Terça-feira, 31.05.11

Delfos

Schopenhauer afirmou que "qualquer verdade passa por três estágios: primeiro, é ridicularizada; segundo, é violentamente combatida; terceiro, é aceite como óbvia e evidente."

 

A noção de que a austeridade é o caminho certo para a erosão social, para a implosão do Euro e da construção europeia, defendida por alguns economistas e de que a solução terá que passar por uma reestruturação da dívida e por uma maior solidariedade e coesão europeia parece passar por estes estágios: nesta campanha eleitoral os defensores desta via são apelidados de demagogos e irrealistas, ou seja, ridicularizados.

 

O nosso futuro encontra-se explanado, não no Oráculo de Delfos, mas na própria Grécia. No entanto, da mesma forma que individualmente recusamos seguir determinadas orientações porque julgamos que isso acontece apenas aos outros, colectivamente procedemos do mesmo modo, negamos o nosso futuro porque enfrenta-lo seria duro demais. 

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Terça-feira, 19.04.11

Prefiero morir de pie que vivir de rodillas*

Neste momento, Portugal está a ser alvo de bullying: estamos a ser insultado, tratados como um choninhas de óculos, o "bom aluno" a quem roubam o dinheiro de almoço. Os "nossos" lideres amedrontados calam, comem e ainda pedem desculpa.

 

É natural. A única forma de sermos respeitados é termos respeito por nós próprios, mas preferimo-nos auto-flagelar, como naquela cena do Sétimo Selo do Bergman.  

 

Sim, claro que também temos culpas. No entanto, não seria mal pensado retorquir àquele Finlandês, que perguntou a Passos Coelho se o almoço deste seria pago através dos seus impostos, que, se calhar, estava de férias com o dinheiro que os Portugueses gastam anualmente em Nokias, e que, nesse caso, nem achava mal sermos consumistas.

 

Se são assim os "nossos" lideres haverá hipótese para Portugal? Teremos a nossa coluna definitivamente quebrada: um mero servo sem opinião nem poder de decisão sobre os nossos destinos colectivos. A liberdade perdida e um simulacro de democracia: o nosso país transformado numa colónia da Alemanha.

 

O sangue derramado, as lágrimas vertidas, o sacrifício dos nossos antepassados na construção e independência do nosso país merecia mais respeito e memória: 900 anos de história esquecidos e vendidos por um punhado de euros. Não sou patriota, nem muito menos nacionalista, mas uma vez que todos estão a "defender" os seus povos, gostaria de ver os "nossos" líderes a defender o nosso, com actos corajosos e concretos, sem subserviências. 

 

Talvez o primeiro passo seja recuperarmos o respeito por nós próprios, por Portugal...

 

* Emiliano Zapata

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Segunda-feira, 06.12.10

Pare, escute e olhe

 

Por vezes, quando estudava alguns (e não eram poucos) pedaços de história, era impossível não me interrogar como foi possível terem sido tomadas determinadas decisões sem que ninguém se apercebesse quão ridículas eram. Períodos como a grande depressão e as guerras mundiais, a forma como Portugal desperdiçou as riquezas trazidas pelos descobrimentos, a queda do império romano são apenas alguns exemplos.

 

E, infelizmente, temo que o período actual seja visto da mesma forma pelos nossos filhos e netos. As decisões que se têm tomado para combater a crise fazem lembrar um hamster a correr na sua roda. Corre, corre para acompanhar a roda, que, por esse impulso, é ainda mais veloz, e, quanto mais corre mais a roda acelera, o que dificulta, e obriga-o a correr ainda mais rápido, até que, por fim, é atirado com violência para fora da roda.

música: Breathe - Pink Floyd
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Domingo, 28.11.10

Sugestão

Para combater a crise actual devíamos fazer como os brasileiros e dominar o complexo do alemão.

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Quinta-feira, 18.11.10

BD - Dois Olhares

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Quarta-feira, 20.10.10

Vive la France!

Em Novembro de 2005, escrevi isto em lugar próprio:

 

A cena do Casablanca em que, em plena França ocupada, num café, o povo consegue, através da sua emoção, ao cantar a marselhesa, calar os militares alemães que cantavam o seu hino, é algo que me sempre emocionou.

Apesar de ser ficcional, é simbólico da atitude cívica dos franceses, ao contrário dos portugueses que são indiferentes. Em tempos de crise não receiam e lutam pelo que acreditam, desde a luta dos agricultores contra os nobres no Antigo Regime, passando por Maio de 68 e, terminando com os acontecimentos actuais. 
A França, pátria dos direitos do homem, é e foi o motor das grandes alterações sociais do ocidente. E, neste momento, é necessário uma nova alteração social. A busca incessante do lucro, que transformou a China na fábrica do mundo, e com isso, o esvaziamento da capacidade produtiva da Europa e o consequente desemprego crónico, precisa de ser eliminado como fundamento societário. É necessário uma nova perspectiva sobre a vida, um visão mais tolerante, mais solidária, mais abrangente.
Acredito, numa perspectiva hegeliana, que a antí-tese actual se irá transformar numa síntese mais de acordo com a dignidade humana, chamem-me sonhador!

 

Passados cinco anos, verifica-se que o panorama não se alterou significativamente. A mais medidas restritivas contrapõe-se uma postura resignada. A imutabilidade e inevitabilidade impregnam-se nos nossos espíritos, alicerçados numa cultura de medo. A liberdade é posta em causa. Muitos erroneamente restringem o espectro de liberdade apenas à liberdade de expressão. Ela, porém, é muito mais do que isso.

Quando concedem isenções nas portagens apenas aos detentores de chips tiram-nos liberdade. Quando são retirados apoios sociais, e a saúde e educação estão dependentes das condições económicas individuais a liberdade restringe-se. Os cidadãos não são mais livres, ficam dependentes dos patrões. O emprego, cada vez mais, é visto como uma benesse destes que, no alto da sua magnanimidade, pagam o ordenado mínimo, sendo que, muitas vezes, nem isso se os "colaboradores" forem "prestadores de serviços".

Nada é inevitável a não ser a morte. O Mundo é feito de pessoas, por pessoas e para as pessoas. É altura de lutar!

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Sexta-feira, 08.10.10

República

 

A Comissão Nacional para as comemorações do centenário da República teve uma tarefa complicada: justificar a comemoração, e suas despesas, numa altura em que as instituições e economia estão em crise.

 

 

De facto, quando vemos os nossos lideres políticos a comportarem-se como os miúdos d' "O Senhor das Moscas" a tentarem apaziguar a Besta dos mercados com medidas de austeridade, torna-se difícil ficar entusiasmado com a República.

 

Faltou, porém, nestas comemorações discutir a ideia de coisa pública e, sobretudo, a ideia de sociedade.

 

A instauração da República francesa é o marco histórico que finaliza o Antigo Regime, que destruiu a ideia de uma estratificação estática da sociedade.

O individuo nasceu. As pessoas deixaram de serem vistas pelo prisma da classe (povo, nobreza, clero) a que pertencem. Iniciou-se o longo caminho da igualdade, da igualdade perante a lei e perante outros.

 

No entanto, este parto não se fez sem dores: as angústias individuais - o conflito entre a multiplicidade infinita de possibilidades e os limites de cada um -, a necessidade de pertença, a anomia. Desde essa altura que se tem assistido a um exacerbamento do culto do indivíduo, romperam-se os laços comunitários e de solidariedade. O resultado é uma sociedade mais egoísta.

 

E é precisamente em tempos de crise que o egoísmo é mais extremo e o "outro" é o alvo primordial. Sucede que na sociedade actual a inexistência destes laços todos são os "outros". Neste paradigma a União Europeia é posta em causa, a unidade de alguns países também o é (Bélgica). Haverá futuro numa organização baseada na solidariedade e união de povos? Enquanto isso a sombra de extrema-direita paira sobre toda a Europa alcançando um cada vez maior protagonismo.

 

Por esta banda discute-se as vantagens do princípio utilizador-pagador. De acordo com este princípio seriam os marinheiros a pagar o preço dos submarinos. Ultrapassada esta hipérbole, dá gozo ouvir os defensores deste princípio contar que não consegue entender como é que ele, felizmente tendo posses, paga uma ninharia pelo exemplar serviço hospitalar que usufruiu. Aqui vai uma ideia maluca: façam uma doação! A sério é possível e aposto que o Hospital agradece.

publicado por CRG às 11:37 | link do post | comentar

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