Terça-feira, 11.06.13

There there

Parafraseando Joseph Heller:

- O Governo dos EUA quer-me apanhar.

- Não quer nada.

- Então por que é que estão a interceptar todas as minhas comunicações?

- Eles estão a interceptar as comunicações de toda a gente.

- E que diferença isso faz?

 

Tal como a personagem homónima do Catch-22, Snowden desvendou-nos um segredo. No fundo, ambos os Snowden "spilled their guts", um literalmente e outro, para já, - e esperemos que assim se mantenha - apenas metaforicamente. 

 

Para os mais cínicos não foi tanto desvendar como confirmar a suspeita que sempre tiveram: o governo dos EUA vigia em tempo real todas as comunicações online do planeta.  

 

E agora, qual será a nossa atitude? Seremos, tal como Yossarian, impotentes e repetir frases inócuas "there there"? 

publicado por CRG às 15:15 | link do post | comentar
Segunda-feira, 29.08.11

Yossarian vive...

 

Numa das grandes obras literárias de sempre (sendo certo que sou dado a exageros, neste caso considero esta frase um tudo ou nada ponderada), Yossarian, a personagem principal de "Catch - 22", é confrontada não só com o absurdo da guerra e da própria existência, mas sobretudo com a forma como a guerra é aproveitada, sob o manto de patriotismo e bem comum, para favorecimento pessoal: as personagens de chefia, e não só, procuram satisfazer as suas necessidades individuais, quer estas sejam de riqueza, quer sejam de glória.

 

Este impulso individualista, uma das conquistas mais importantes do iluminismo, tem vindo a tornar-se pouco a pouco homogéneo no nosso pensamento, sobrepondo-se à ideia de família, comunidade, sociedade, cujos laços são cada vez mais ténues. Porventura como reacção aos sistemas totalitários que procuravam a sobreposição do Estado sob o indivíduo, diluindo-o numa massa seguidora e acrítica, este individualismo foi acelerado no pós 2ª Guerra Mundial.

 

Um dos pequenos pormenores que exemplificam esta tendência são os desportos mais recentes, os denominados desportos radicais, que rejeitam o colectivo ou o diálogo com o adversário, como o ténis, e procuram apenas o grau de perícia individual do praticante.

 

Este impulso, em vez de ser domado e usado com parcimónia, foi objecto de celebração; fundamentado numa teoria utilitarista, foi difundido a ideia de que o bem comum é o resultado do maior número de necessidades individuais saciadas. Parte da crise actual está assente neste excesso individualismo: "O que é racional do ponto de vista individual – cada empresa, para sobreviver e prosperar, corta os custos laborais cada vez mais –, ignora que os meus custos laborais são os rendimentos e o consumo de alguém".

 

No entanto, a questão não se pode apenas cingir ao comportamento das empresas mas também do consumidor individual que, na tentativa de fugir a preços mais altos refugiou-se no monopólio das grandes marcas e das grandes superfícies, o que conduziu à morte lenta do pequeno produtor e do comércio tradicional. 

 

Por isso quando olho para as ruas do Porto, por exemplo para a Rua Júlio Dinis, coberta de lojas encerradas ou em liquidação total, não posso deixar de me sentir culpado.

publicado por CRG às 17:46 | link do post | comentar
Quarta-feira, 29.06.11

Programa de Governo

"Major Major's father was a sober God-fearing man whose idea of a good joke was to lie about his age. He was a long-limbed farmer, a God-fearing, freedom-loving, law-abiding rugged individualist who held that federal aid to anyone but farmers was creeping socialism. He advocated thrift and hard work and disapproved of loose women who turned him down. His specialty was alfalfa, and he made a good thing out of not growing any. The government paid him well for every bushel of alfalfa he did not grow. The more alfalfa he did not grow, the more money the government gave him, and he spent every penny he didn't earn on new land to increase the amount of alfalfa he did not produce. Major Major's father worked without rest at not growing alfalfa. On long winter evenings he remained indoors and did not mend harness, and he sprang out of bed at the crack of noon every day just to make certain that the chores would not be done. He invested in land wisely and soon was not growing more alfalfa than any other man in the county. Neighbors sought him out for advice on all subjects, for he had made much money and was therefore wise. "As ye sow, so shall ye reap," he counseled one and all, and everyone said, "Amen."

 

Major Major's father was an outspoken champion of economy in government, provided it did not interfere with the sacred duty of government to pay farmers as much as they could get for all the alfalfa they produced that no one else wanted or for not producing any alfalfa at all. He was a proud and independent man who was opposed to unemployment insurance and never hesitated to whine, whimper, wheedle, and extort for as much as he could get from whomever he could. He was a devout man whose pulpit was everywhere. "The Lord gave us good farmers two strong hands so that we could take as much as we could grab with both of them," he preached with ardor on the courthouse steps or in front of the A & P as he waited for the bad-tempered gum-chewing young cashier he was after to step outside and give him a nasty look. "If the Lord didn't want us to take as much as we could get,"(...)

 

in Catch-22, Joseph Heller

 

publicado por CRG às 14:01 | link do post | comentar

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