Self-hating tourist

 

Enquanto descansava no meu quarto de Hotel, na Provença, deparei-me com a foto supra do NY Times: centenas de turistas atropelavam-se para tirar uma foto ao quadro mais famoso e fotografado do mundo.

 

Por muito que tente não consigo perceber por que razão alguém viaja milhares de quilómetros, espera horas em filas, para acabar a ver a Mona Lisa através do ecrã minúsculo da sua câmara/smartphone; que vantagem terão ao ter a sua própria foto, que ângulo desconhecido obterão que não está presente nas milhares de fotografias online?

 

Uma das explicações poderá residir na pressão de grupo: se todos na sala estão a tirar fotografias haverá um forte estimulo para se seguir o exemplo. Apostaria, porém, noutra explicação: as fotos servem como prova que estiveram no Louvre, que viram a Mona Lisa - que tanto podia ser uma pintura como um celeiro.

 

Enquanto deambulava nestas reflexões pensei nos locais que havia visitado nestas férias. A forma como os turistas, comigo incluído, afectam o "habitat natural", como conseguem transformar qualquer local num parque temático, devidamente adaptado às suas necessidades e expectativas. 

 

E conclui que eu sou o pior tipo de turistas: julgava que viajar, mesmo uns meros dias no estrangeiro, me permitiria conhecer um país, entender os seus habitantes. Na verdade, uma viagem, se tivermos sorte, "apenas" servirá para melhor nos conhecermos a nós próprios.

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publicado por CRG às 13:17 | link do post | comentar