Até à eternidade

Uma das maiores contradições da humanidade é sermos conscientes da "universal" finitude mas continuar a raciocinar usando a dicotomia provisório/permanente.  

 

Somos mais exigentes com o que percepcionamos de permanente - quer seja uma habitação, um namoro ou uma política - e mais tolerantes com o que se julga que é efémero; apesar de na prática o tempo de qualquer uma delas até poder ser equivalente. 

 

Deste modo, percebe-se o desconforto do Governo ao ter que admitir que os cortes salariais são permanentes, por que tal admissão o impede de atenuar a resistência a medidas gravosas apelidando-as de provisórias.

 

Ora, o Poder serve-se desta dicotomia consoante os interesses e circunstâncias - também é necessário "vender" a ideia de um mundo perene e perpétuo (será que a civilização de manteria se fosse descoberto que todo o universo terminaria no prazo de 100 anos?). É uma forma de subjugação e de manutenção do statu quo (por alguma razão as religiões contrapõem a brevidade da vida terrena cheia de sofrimento versus a felicidade eterna no reino dos deuses).

 

publicado por CRG às 11:39 | link do post | comentar