Do pib

 

Uma das gaffes mais conhecidas da política portuguesa é a do então candidato Guterres a tentar calcular o PIB, terminando com a famosa frase "é fazer a conta". Se o valor do PIB decorre de simples aritmética, a sua importância e o seu verdadeiro significado não é assim tão linear ou, pelo menos, não o devia ser.

 

A verdade assente e acrítica de que existe uma correlação entre a subida do PIB e a qualidade de vida de um país - se o PIB sobe é porque o país está a caminhar na direcção certa - não era sequer defendida por Kuznets, prémio Nobel da Economia, que liderava a equipa de economistas que criou o cálculo do PIB, que avisou que “O bem-estar de uma nação não pode, desta forma, ser aferido através do cálculo do seu PIB".

 

Não se trata de monesprezar o PIB mas retirar a sua excessiva importância. Relativizar o PIB, um indicador entre outros igualmente importantes como a qualidade de vida, a saúde, a igualdade, o bem-estar... 

 

Porque o problema é que: "A country, for example, that overemphasizes G.D.P. growth and market performance is likely to focus policies on the big drivers of those — corporations and financial institutions — even when, as during the recent past, there has been little correlation between the performance of big businesses or elites and that of most people."

 

Fontes: The Rise and Fall of the G.D.P.; Redefining the Meaning of no. 1 e Ladrões de Bicicletas

 

 

 

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publicado por CRG às 16:55 | link do post | comentar