Lost generation

 

No fim da adolescência há uma pressa de sair, uma vontade de partir, seja por onde for, largar por aí fora, pelas ondas, pelo perigo, pelo mar, pelas noites misteriosas e fundas. Ir, ir, ir, ir de vez! Uma vida cheia de ânsias que a realidade ainda não estreitou. 

 

Mas a realidade chega e envolve as ânsias num suave torpor; afunila o horizonte; ancora os desejos. Nascem raízes - boas raízes. Estas crescem, tornam-se cada vez mais profundas, agarram e embalam-nos. O desejo de partir não desaparece, modifica-se: a viagem é sempre de ida e volta.

 

E se essa realidade não chegar? Se o solo pátrio não permitir que as raízes penetrem no seu ventre, agora, árido e infértil? Centenas, milhares de jovens obrigados a emigrar. Um êxodo. Um desperdício dos melhores e mais capazes. Uma geração perdida.

publicado por CRG às 10:05 | link do post | comentar