Democracia (parte 2)

No império romano, as autoridades, a certa altura, decidiram colocar uma marca distintiva - uma espécie de braçadeira - em todos os escravos de forma a não serem confundidos com cidadãos romanos*. No entanto, rapidamente esta norma foi revogada. Nas ruas do império rapidamente se verificava que o número de escravos ultrapassava grandemente o número de cidadãos, pelo que se corria o risco dos escravos unirem-se e revoltarem-se contra o statu quo. 

 

Actualmente, as medidas políticas (por exemplo o reforço da contratação individual, o conceito de utilizador-pagador, etc) têm conduzido a um cada vez maior isolamento de cada cidadão, fundamentado no pressuposto de liberdade pessoal e independência. Quando o verdadeiro fundamento resume-se ao velho ditado: dividir para reinar.

 

Divididos, agrava-se a sensação de impotência perante o mundo, a sociedade, o mercado de trabalho. As medidas, apelidadas de inevitáveis, são aceites com resignação por um cidadão isolado, que se vê sem poder real para as combater. A democracia, baseada na soberania do povo, vai perdendo o seu sentido enquanto não nos apercebermos do impacto real que cada um de nós, unidos como grupo, podemos ter.

 

 

* Desconheço se a história é ou não verdadeira, ou se é apenas um mito urbano, porém nunca se deve estragar uma bela história com factos.

publicado por CRG às 11:43 | link do post | comentar