Vuvuzela

Durante o último campeonato do Mundo, os telespectadores criticaram o barulho criado pelas milhares de vuvuzelas. Apesar de tudo, aquele enxame de abelhas é bem menos irritante que os comentários televisivos nacionais que temos que aturar.

 

De todos (em sinal aberto) o menos mau são os da rtp: respeito profundamente alguém (Freitas Lobo) que segue os campeonatos nacionais até às distritais, os principais campeonatos da Europa, o campeonato do Brasil, Argentina, México, Japão sem entrar compulsivamente no Magalhães Lemos.

 

A seguir, num quase empate técnico com o último classificado, chegam os comentários da TVI. Eu sei, eu sei: o Valdemar "Fussil" Duarte, que a seguir à "Portuguesa" considera o Hino da Champions aquele que tem mais significado (TSF - 2010), percebe tanto de futebol como o Luis Campos, ou seja, abaixo de zero. E quando acompanhado pelo Querido Manha, que utiliza dados estatísticos tão pertinentes como indicar que ninguém falhava tantos penalties desde um jogo na "capital" de Marrocos em casa do Rabat de Cassablanca (TVI - 2010), faz-nos suspirar por um funil para verter azeite quente nos tímpanos. Conseguem, porém, sair do último lugar porque, pese embora serem menos isentos do que a Benfica TV, sabe-se o que são, ao que vieram e não se tentam esconder: é como ouvir o relato de amigos benfiquistas.

 

Em último lugar, são os comentários da SIC. Augusto Marques sonha com o Gaitán e as mães dos jogadores do Porto insistem em chamar aos filhos outra coisa, o que denota uma má vontade inqualificável. Nuno Luz. O que dizer deste jornalista, que desde que levou com balões de água dos jogadores da selecção nacional, nunca mais foi o mesmo.

 

Ontem, foi triste ver o Guarin destruir as expectativas dos comentadores da SIC. Na verdade, a culpa é minha: desconhecia as suas origens andaluzes, o que explica como conseguiram identificar o fora-de-jogo claríssimo do Rolando, ao mesmo tempo que foram céleres a perdoar o arbitro por não ter assinalado a carga do Kanoute.

 

Apesar de tudo, ontem felizmente não se verificou a "perfect storm" dos comentários televisivos: o tridente constituído por Augusto Marques, Nuno Luz e Rui Santos, que é indubitavelmente o comentador que percebe mais de futebol desde que o mesmo não seja praticado dentro de quatro linhas. Este tridente, para além de denotarem as características facciosas dos seus companheiros da TVI, esforçam-se por retirar todo e qualquer gozo ao jogo com referências quase obsessivas aos programas que se seguem naquela estação.

 

Voltem vuvuzelas, estão perdoadas.

publicado por CRG às 14:49 | link do post | comentar