It's the economy, stupid

O síndrome do hamster é ainda mais pernicioso quando se verifica que a economia, o progresso económico deixou de ser visto como um meio para melhorar a vida dos cidadãos e transformou-se no (muitas vezes único) objectivo das políticas.

 

Conceitos novilínguos como "competitividade", "flexibilidade", "colaboradores" são usados para deteriorarem lentamente a qualidade de vida (os horários longos que obrigam a despejar os filhos de madrugada na creche, etc), enquanto se contrapõem a inevitabilidade de tudo isto, como se alguma lei física imutável se tratasse.

 

A raíz do problema centra-se na desvalorização progressiva do trabalho, visto apenas como um custo, inclusive um desperdício, que tem que ser suprimido ao mínimo. O trabalho deixou de ser visto como uma mais valia mas como um privilégio e não faltará muito até que os trabalhadores tenham que pagar para trabalhar. E, talvez tenha sido essa a única função da greve geral do passado mês: manifestar a importância, tantas vezes esquecida, do trabalho e dos trabalhadores.

 

No entanto, observar como a greve foi recebida, e, ainda mais importante, a diferença de tratamento entre as legítimas expectativas dos accionistas da PT e dos que auferem o ordenado mínimo comprova como esta é uma batalha longe de ser ganha.

 

Neste tempo de indefinição sobre que lado estar e sobre que batalhas combater seria importante afastar-nos da roda do hamster, respirar fundo e focalizar o debate político numa pergunta simples: esta medida aumenta ou diminui a qualidade de vida dos cidadãos. E contrariar Faulkner:

"Because no battle is ever won, he said. They are not even fought. The field only reveals to man his own folly and despair, and victory is an illusion of philosophers and fools."

publicado por CRG às 10:32 | link do post | comentar