Quinta-feira, 31.05.12

Mex (parte 2)

...como se fosse assim tão simples...Uma vez que o avião estava estacionado bem longe da porta de embarque, foi necessário subir para um autocarro repleto de pessoas, malas e impaciência. Após uma curta viagem parámos defronte do avião, finalmente pude-me sentar no meu lugar e preparar-me para a longa viagem...a sério, acham mesmo que era assim tão simples...O avião não estava preparado, continuámos dentro do veículo. O calor que se sentia dentro do autocarro levou a que fossem abertas as suas portas: aguardava a todo o tempo Oskar Schindler com uma mangueira dirigida aos passageiros, mas não foi preciso.


Agora sim, estava sentado no meu lugar, de cinto colocado a preparar-me para uma longa viagem: saídas de emergência e casas de banho mesmo ao meu lado, ecrã de televisão à minha frente, Livro no meu colo; à minha volta o maior aglomerado de casais desde o Exponoivos de 2007.


A meio do Atlântico, sobrevoando os Açores iniciou-se o primeiro filme da viagem: "In Time", com Justin Timberlake (enfim), um filme distópico, que parte da premissa de que para alguns viverem na opulência é necessário a pobreza de muitos.


Presumo que infelizmente a ironia se tenha perdido no meio dos passageiros de um país (ainda) do primeiro mundo que dentro de algumas horas iriam fazer o check-in em resorts de luxo a preços baixos apenas viáveis por se tratar de um país pobre.
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publicado por CRG às 15:14 | link do post | comentar
Terça-feira, 29.05.12

Mex

Em "Shipping Out" David Foster Wallace descreve ironicamente os excessos e o suposto divertimento que um cruzeiro de luxo de sete dias lhe deveria ter dado. Imbuído desse espírito vou tentar (e falhar) descrever à moda de Wallace a semana que passei num Resort de cinco estrelas na Riviera Maya, México.

 

IDA

 

Quando soube que a partida fazia-se desde Lisboa senti um calafrio que correu por toda a minha coluna. Eu já sabia que Portela era conhecido como o triângulo das Bermudas da bagagem, o que não sabia é que também fazia desaparecer placas informativas: em vão procurei uma qualquer sinalética que me levasse ao Parque n.º 5. Felizmente após um número indeterminado de voltas e inversões de marcha apareceu, à minha direita, no meio da neblina (pensando melhor é possível que não tivesse existido neblina), uma entrada de um parque estacionamento. "Espera...que número é aquele? É o cinco! É o parque cinco", gritei eu efusivamente como se tivesse acabado de ganhar o primeiro prémio do Euromilhões.

 

Resolvido este percalço peguei na trela da minha mala e dirigi-me para o terminal..argh..e agora..esquerda ou direita?..a minha ingenuidade não tem fim: como se existissem placas a indicar o caminho para o terminal, como se existissem placas nesta terra. Uma sensação parecida com os estudantes do Blair Witch Project invadiu-me o pensamento: vou passar as férias a vaguear por estas ruas - confesso que esta é a versão limpa, no original havia mais algum vernáculo.

 

Uma dose de sorte e depois de muita tentativa e erro lá consegui encontrar o terminal, fazer o check-in em tempo e embarcar antes que as colunas do aeroporto pronunciassem uns sons parecidos com o meu nome. 
Sentado, de cinto colocado estava pronto para uma longa viagem...
publicado por CRG às 11:15 | link do post | comentar
Segunda-feira, 07.05.12

O melhor "videoclip" de sempre - Respect

publicado por CRG às 12:07 | link do post | comentar

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