Terça-feira, 29.11.11

O discurso que gostava de ter ouvido durante esta crise...

Esta é preeminentemente o momento de falar a verdade, toda a verdade, francamente e corajosamente. Nem precisamos de recuar para honestamente enfrentar as condições do nosso país hoje. Esta grande nação resistirá como resistiu, revive e vai prosperar. Então, em primeiro lugar, deixe-me afirmar a minha firme convicção de que a única coisa que devemos temer é o próprio medo, sem nome, irracional, o terror injustificado que paralisa os esforços necessários para converter a retirada em avanço. (...)

 

(...) as nossas dificuldades comuns. Dizem respeito, graças a Deus, apenas a coisas materiais. Valores recuaram para níveis assoladores, os impostos subiram, a nossa capacidade de pagar caiu; governo de todos os tipos viu os seus níveis de rendimento reduzidos; as trocas comerciais congelados; a indústria estagnada; agricultores não encontram mercados para seus produtos, as economias de milhares de famílias se evaporaram.

 

Mais importante, um grande número de cidadãos desempregados enfrentam o problema sombrio da sobrevivência, e um número igualmente elevado trabalha com pouco retorno. Somente um optimista tolo pode negar as realidades complicadas do momento.

 

(...) Face ao fracasso de crédito a solução que propõem é apenas emprestar ainda mais dinheiro. Despojado da atracção do lucro pelo qual induziram o nosso povo a seguir a sua liderança falsa, eles recorreram às exortações, implorando em lágrimas para que a confiança seja restabelecida. Eles sabem apenas as regras de uma geração de individualistasEles não têm visão, e quando não há visão o povo perece.

 

Os especuladores e gurus do mercado fugiram dos seus tronos elevados no templo da nossa civilização. Podemos agora restaurar esse templo às verdades antigas. A medida da restauração encontra-se na medida em que aplicamos os valores sociais mais nobres do que mero lucro monetário.

 

A felicidade não se encontra na mera posse de dinheiro, reside na alegria da conquista, na emoção do esforço criativo. A alegria e a estimulação moral do trabalho não devem ser esquecidas na perseguição louca de lucros evanescentes. Estes dias escuros valerão a pena tudo o que nos custou, se eles nos ensinarem que o nosso verdadeiro destino não é para sermos servidos mas para servir a nós mesmos e aos nossos semelhantes.

 

O reconhecimento da falsidade da riqueza material como o padrão de sucesso anda de mãos dadas com o abandono da falsa crença de que o cargo público e a posição política devem ser avaliados apenas pelos padrões de orgulho do lugar e do lucro pessoal; e tem que chegar ao fim uma conduta no sector bancário e nos negócios que muitas vezes confundiu confiança com a transgressão insensível e egoísta. (...)

 

A nossa maior tarefa primordial é colocar as pessoas a trabalhar. Este não é um problema insolúvel se for enfrentado com sabedoria e coragem. Pode ser realizado em parte através do recrutamento directo pelo próprio Governo, tratando a tarefa como nós trataríamos a emergência de uma guerra, mas ao mesmo tempo, através deste trabalho, realizando projectos essenciais para estimular e reorganizar o uso do nosso naturais recursos.

 

Ao mesmo tempo, devemos francamente reconhecer o desequilíbrio da população nos nossos centros industriais e, fazendo uma redistribuição, esforçar-se por proporcionar uma melhor utilização da terra (...). Ele pode ser realizado pelo planeamento nacional e supervisão de todas as formas de transporte e de comunicações e outros serviços que tenham um carácter definitivamente público. Há muitas maneiras em que podem ajudar, mas nunca pode ser efectuado meramente falando sobre isso. Temos que agir e agir rapidamente.

 

Finalmente, no caminho para a retoma do trabalho, torna-se necessária a existência de duas salvaguardas contra um retorno dos males da velha ordem; deve haver uma estrita supervisão de todos os serviços bancários e de créditos e investimentos, deve haver um fim à especulação com o dinheiro de outras pessoas, e deve haver disposição para uma moeda adequada e credível. (...)

 

Discurso de posse de Franklin D. Roosevelt (tradução minha)

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Domingo, 27.11.11

El Mariachi

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Quinta-feira, 24.11.11

Da falta de adesão à greve

Em Chaves, Domingos Alves, agricultor e pastor, diz que até está “de acordo com a greve”, mas não vai poder aderir. “As ovelhas têm de comer”, explica.

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Ir à luta!

 

Quantas vezes os nossos desempregados terão ouvido esta frase? É preciso ir à luta, dizem com paternalismo, como se a culpa fosse deles, dos desempregados, que se portaram mal e agora sofrem o castigo, e, para a sua redenção, precisam de ir à luta. 

 

A ideia de justiça é uma noção reconfortante: se cumprirmos as regras, se trabalharmos bem e esforçadamente, seremos recompensados, não teremos problemas, o nosso mérito será reconhecido.

 

Surpresa, a vida não é justa, não existe uma relação causal newtoniana mas uma incerteza quântica, que, a qualquer altura, pode atingir qualquer pessoa: a deslocalização ou insolvência de uma empresa, a extinção do seu posto de trabalho... A dependência face a factores externos, incontroláveis; a admissão da nossa própria limitação perante o nosso futuro; a insegurança são pensamentos demasiado aflitivo, torna-se conveniente o refúgio que o sucesso está ao alcance de suor, sangue e lágrimas. 

 

A fria realidade é que 32,2% dos desempregados têm 45 ou mais anos, de acordo com os dados mais recentes do INE, . Assim, antes de exortarem à luta, perguntem quantas empresas encontram-se dispostas a admitir estas pessoas, "velhas" segundo as actuais tendências, para a luta como seus trabalhadores colaboradores.

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Quarta-feira, 23.11.11

Hoje...

...ouvi Tony Bennett cantar "Body and Soul" na MTV, é relaxante verificar que às vezes as coisas fazem sentido.

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Quarta-feira, 16.11.11

Mais vale tarde que nunca: "The Wire"

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Segunda-feira, 14.11.11

Eu não sou chinês sou português (Duarte e Companhia)

No dia 9 de Novembro de 1989, o Muro de Berlim começou a ser derrubado, marcando o início do fim da Guerra Fria. Um fim surpreendente para um conflito que durara quatro décadas. Ninguém imaginava que um dos blocos implodiria por si, muitos julgavam que iria assistir-se a uma simbiose entre os dois modelos de desenvolvimento, uma síntese hegeliana.

 

O instinto estava correcto mas não ocorreu com a antí-tese imaginada. Em vez de existir uma sintese com o sistema soviético estamos a assistir uma síntese com o sistema chinês.

 

A partir do 1980, os governantes chineses foram sucessivamente substituidos por tecnocratas, fieis ao partido único, mas com um saber técnico e profissional que faltava aos "revolucionários originários". Esta alteração trouxe importantes implicações ao sistema político chinês (o original pode ser encontrado aqui):

 

- Em primeiro lugar, os actuais líderes chineses tendem a pensar que a política é como um projecto de engenharia, cada problema tem uma solução, e quando a solução é encontrada, o caminho para a verdade deve ser claramente seguido, não sendo sujeito a quaisquer vozes dissidentes;

 

- Em segundo lugar, a política, ao invés de um processo aberto em que as pessoas devem participar, se torna uma questão de engenharia social, com limites claros e soluções certas. Em algum grau, a elite na China têm praticado uma política de anti-política, isto é, tentando acabar com a deliberação, conflito e participação;

 

Em terceiro lugar, as elites chinesas sentem-se muito confortaveis na execução da política de projectos: Mega-projectos são o melhor local para demonstrar seus conhecimentos e legitimidade, procurar promoção, mostrando suas realizações, e também para mergulhar os dedos no cofre do Estado de suborno;


- Em quarto, o crescimento económico e prosperidade material são a marca registada de sucesso, os politicos chineses têm extrema dificuldade em compreender que as pessoas têm necessidades espirituais além do ateísmo e do materialismo;

 

Ora, ao olhar para o que se assiste diariamente na Europa e no mundo ocidental verifica-se que estamos a caminhar neste sentido. Um futuro com menos direitos, mais horas de trabalho e pior remunerado, o esvaziamento do discurso político e da legitimação pelo voto, por um poder tecnocrata alheado das aspirações dos eleitores.

publicado por CRG às 18:39 | link do post | comentar
Sexta-feira, 11.11.11

Falta de memória

 

Da leitura dos jornais ou noticiários televisivos não parece, mas Portugal também participou na 1ª Guerra Mundial, tendo sido mobilizados mais de 200 mil homens, dos quais cerca de 10 mil morreram e muitos milhares ficaram feridos.

 

Hoje, 11 de Novembro de 2011, é o aniversário do fim simbólico deste conflito. Infelizmente, parece que todos os impulsos patrióticos de hoje foram sugados por causa de um jogo de futebol, é pena.

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publicado por CRG às 13:02 | link do post | comentar

11:11h - 11/11/1918

I will come to a time in my backwards trip when November eleventh, accidentally my birthday, was a sacred day called Armistice Day. When I was a boy, and when Dwayne Hoover was a boy, all the people of all the nations which had fought in the First World War were silent during the eleventh minute of the eleventh hour of Armistice Day, which was the eleventh day of the eleventh month.

It was during that minute in nineteen hundred and eighteen, that millions upon millions of human beings stopped butchering one another. I have talked to old men who were on battlefields during that minute. They have told me in one way or another that the sudden silence was the Voice of God. So we still have among us some men who can remember when God spoke clearly to mankind.

Armistice Day has become Veterans' Day. Armistice Day was sacred. Veterans' Day is not.

So I will throw Veterans' Day over my shoulder. Armistice Day I will keep. I don't want to throw away any sacred things.

What else is sacred? Oh, Romeo and Juliet, for instance.

And all music is.

 

Breakfast of Champions, Kurt Vonnegut

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Terça-feira, 08.11.11

Worth living...

publicado por CRG às 17:05 | link do post | comentar

Lost generation

 

No fim da adolescência há uma pressa de sair, uma vontade de partir, seja por onde for, largar por aí fora, pelas ondas, pelo perigo, pelo mar, pelas noites misteriosas e fundas. Ir, ir, ir, ir de vez! Uma vida cheia de ânsias que a realidade ainda não estreitou. 

 

Mas a realidade chega e envolve as ânsias num suave torpor; afunila o horizonte; ancora os desejos. Nascem raízes - boas raízes. Estas crescem, tornam-se cada vez mais profundas, agarram e embalam-nos. O desejo de partir não desaparece, modifica-se: a viagem é sempre de ida e volta.

 

E se essa realidade não chegar? Se o solo pátrio não permitir que as raízes penetrem no seu ventre, agora, árido e infértil? Centenas, milhares de jovens obrigados a emigrar. Um êxodo. Um desperdício dos melhores e mais capazes. Uma geração perdida.

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Segunda-feira, 07.11.11

Orgulho

Neste fim-de-semana senti orgulho em ser portista. O quê?! Sentir orgulho após dois resultados deploráveis: uma derrota contra uma equipa da quarta divisão europeia; e um empate e exibição paupéria, sem imaginação e estofo de campeão.

 

Costuma-se dizer que a verdadeira personalidade revela-se, não em alturas de sucesso, mas em tempos de dificuldade e infortunío, quando as marés de azar batem à nossa porta. 

 

Ora, o Porto, no jogo contra o Olhanense, teve, segundo os entendidos, duas grandes penalidades a seu favor que não foram assinaladas: uma discutível mão na bola de Mexer (infelizmente parece que actualmente tudo que toca na mão é falta) e uma falta do mesmo Mexer sobre o Hulk.

 

Pese embora estes incidentes, não ouvi, quer de parte da estrutura quer de quase a totalidade dos adeptos, qualquer referência a estas duas penalidades (e ainda bem que assim não o foi) cinjindo-se as críticas ao funcionamento da equipa, à falta de garra e confiança, à inoperância do treinador. 

 

Outros clubes menores teriam-se agarrado, com unhas e dentes, a estas duas penalidades para branquear o desaire. Os treinadores e dirigentes teriam levantando suspeitas e cabalas, sombras do sistema ou outras histórias de embalar a fim de ludibriar os seus adeptos, assinalando causas exógenas como origem dos maus resultados.

 

Essa atitude de desresponsabilização faria apenas eternizar a crise, os jogadores não sentiriam a necessidade de correr mais, jogar melhor porque no fundo a culpa era dos arbítros. Mas o verdadeiro campeão não é assim. O verdadeiro campeão vai buscar a cada dificuldade força para lutar mais e melhor, a cada injustiça mais vontade de se superar.

 

Isto é ser Porto! E foi por isto que senti orgulho.

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publicado por CRG às 10:57 | link do post | comentar
Quinta-feira, 03.11.11

História

Eddie Key, personagem de "Breakfast of Champions", foi o escolhido pela sua geração para memorizar toda a história da sua família. Ele, como receptáculo deste conhecimento, sentia que era um veículo, um veículo para o futuro da sua herança geneológica, e que os seus olhos eram um pára-brisas através do qual os seus antepassados, caso quisessem, podiam observar o mundo.

 

Numa época de individualismo e de, ao mesmo tempo, uniformização e globalização de costumes e regras, de aplicação de modelos descontextualizados do tempo e local, sob o pretexto de uma alegada sofisticação superior (veja-se como o Hallloween tem ganho importância entre nós), as raízes culturais e a história comum dissipa-se. O indíviduo atomiza-se, torna-se numa ilha, não existe sentimento de pertença. E, sem esse sentimento há indiferença perante a res publica, o bem comum. 

 

Torna-se imprescindível, não um regresso às origens, mas um relembrar das raízes, da cultura de cada povo, gritar como o homem do leme perante o Mostrengo:

"Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;"

publicado por CRG às 18:57 | link do post | comentar

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