Terça-feira, 31.05.11

Delfos

Schopenhauer afirmou que "qualquer verdade passa por três estágios: primeiro, é ridicularizada; segundo, é violentamente combatida; terceiro, é aceite como óbvia e evidente."

 

A noção de que a austeridade é o caminho certo para a erosão social, para a implosão do Euro e da construção europeia, defendida por alguns economistas e de que a solução terá que passar por uma reestruturação da dívida e por uma maior solidariedade e coesão europeia parece passar por estes estágios: nesta campanha eleitoral os defensores desta via são apelidados de demagogos e irrealistas, ou seja, ridicularizados.

 

O nosso futuro encontra-se explanado, não no Oráculo de Delfos, mas na própria Grécia. No entanto, da mesma forma que individualmente recusamos seguir determinadas orientações porque julgamos que isso acontece apenas aos outros, colectivamente procedemos do mesmo modo, negamos o nosso futuro porque enfrenta-lo seria duro demais. 

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Sexta-feira, 27.05.11

69: número curioso

Acabou a época, inicia-se o defeso. O esférico deixou de rolar sobre a erva por isso discute-se sobre o palmarés dos clubes. É natural que o Benfica pugne por ter 69 títulos - quem é que não gosta de um 69 - por isso vá-se lá arranjar uma Taça Latina: o Torneio Guadiana lembra uma prova de canoagem enquanto a Taça Amizade soa um pouco maricas. 

 

A Fifa já veio esclarecer que a Taça Latina não é um trofeu oficial. Infelizmente, a Fifa continua sem perceber o nosso país: aqui os factos não interessam, muito menos é um critério dos nossos jornalistas, o importante foi a "projecção e a importância que os portugueses na altura lhe atribuíram". 

 

Bem, seguindo esse critério afigura-se que a Taça Arsenal deverá ser contabilizada a favor do Porto. Para quem não sabe, em 1948, o Arsenal, que era considerada a melhor equipa do Mundo, foi convidada para realizar dois jogos particulares em Portugal. O primeiro jogo disputou-se no Estádio Nacional contra o Benfica: vitória de 4-0 dos ingleses, tendo a imprensa da altura afirmado que os "gunners" eram a melhor equipa que jogara até então em Portugal. O segundo jogo, quatro dias depois, realizou-se no Estádio do Lima, contra o Porto: vitória dos portistas por 3-2.

 

Para comemorar tal feito realizou-se uma colecta na qual se angariou 200 contos. Esta quantia serviu para a construção de um troféu "A Taça Arsenal". Este troféu, que pesa mais de 250kg, é composto por duas peças: uma peça totalmente concebida em prata e um relicário*.

 

No entanto, esta é uma discussão estéril e sem qualquer importância, o que interessa é próximo jogo, a próxima competição. E, também é verdade que o Porto ainda não atingiu nacionalmente - internacionalmente já é outra história - o palmarés do Benfica, continuamos ainda longe do número de campeonatos nacionais e de taças de Portugal, as competições que realmente interessam.

 

 

* A história completa aqui 

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Quinta-feira, 26.05.11

Contributo para a campanha eleitoral...

 

publicado por CRG às 18:22 | link do post | comentar
Terça-feira, 24.05.11

Leituras

Como diz John Self: ler tira-nos muito tempo, ir, por exemplo, da página 21 à 29, tem que se passar pela página 23, 25, 27, sem contar com as páginas pares 24, 26, 28; demora demora.

 

Acresce que se vive cada mais rápido. Fast-food. Speed dating. Eliminam-se tempos mortos: ouve-se música, liga-se iphone, net, e-mails, facebook, abre-se aplicação, joga-se angry birds, lança-se um tweet, check-in na padaria...Não se desperdiça tempo: multi-tasking. Já não se espera. Saca-se o último episódio da série, que estreou apenas ontem, no lado de lá do Atlântico, para o ver no ipod a caminho do trabalho.

 

Neste contexto, como posso sugerir a leitura de um livro com mais de 1000 (mil!) páginas e centenas de notas de rodapé, algumas que se prolongam por várias páginas? Como posso sugerir a leitura de um livro cujo autor ao longo dessas mais de 1000 (mil!) páginas por vezes parece abusar da atenção e da paciência do leitor com pormenores demasiado detalhados sobre questões laterais? Como posso sugerir um livro de difícil leitura, é uma espécie de puzzle que se vai lentamente construindo? Como posso sugerir um livro que não se encontra traduzido em português e presumo que não o será num tempo tão próximo? Como posso sugerir um livro que tem o seu próprio wikipedia?

 

Sempre poderei falar da crítica, dos prémios, do impacto que teve e que ainda têm na cultura americana. No entanto, corre-se o risco de ser mais um daqueles livros que todos compram e que ninguém lê. Recuso-me, igualmente, a afirmar que o livro mudará a vida de alguém ou que é de leitura obrigatória. Nenhum é. 

 

Assim, apenas digo que adorei todas as longas horas que "perdi" com ele. Encontra-se repleto de pequenos brindes e pérolas, de humor, de tristeza, de filosofia. É uma obra de verdadeiro génio.

publicado por CRG às 11:36 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quinta-feira, 19.05.11

Tutti Frutti

Eu sei, eu sei... Hoje devia falar da vitória do Porto na Europa. Ou da manifestação em defesa do Mercado Bom Sucesso. Ou da manifestação da CGTP. Ou da política actual. Mas a verdade é que comprei um iPad e hoje o investimento foi justificado. Hoje aconteceu algo grande. A Playboy está oficialmente no iPad.

As novas gerações não sabem o que é ter de ver o Tutti Frutti às escondidas dos pais, ou ter de esperar tempos infinitos pelo download de imagens numa ligação 56k. Como tal, este aparecimento de todas as revistas da Playboy no iPad, é como que um grito de liberdade do rapaz que pesquisava pela Pamela Anderson no AltaVista.

Para além disso, a indústria para adultos volta a inovar. A Apple, infelizmente, não aceita nudez na sua appstore. E enquanto muitos se queixam, e com razão, da censura da Apple, a Playboy decide lembrar-se que a web existe e faz uma app toda na web. Sem passar pela Apple, sem dar dinheiro à Apple, com toda a liberdade de fazer o que bem entenderem. Que muitos a sigam.

Quanto a mim, quando finalmente chegar o iPad, já sei qual vai ser um dos primeiros sites a visitar.

publicado por JSP às 15:58 | link do post | comentar
Quarta-feira, 18.05.11

Eire

HESE are the clouds about the fallen sun,

The majesty that shuts his burning eye:

The weak lay hand on what the strong has done,

Till that be tumbled that was lifted high

And discord follow upon unison,

And all things at one common level lie.

And therefore, friend, if your great race were run

And these things came, so much the more thereby

Have you made greatness your companion,

Although it be for children that you sigh:

These are the clouds about the fallen sun,

The majesty that shuts his burning eye.

publicado por CRG às 13:13 | link do post | comentar

Prognósticos? Só no fim do jogo...

 

 

 

 

 

 

publicado por CRG às 09:38 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 17.05.11

Democracia (parte 1)

Hannah Arendt, nas "Origens do Totalitarismo", revela que o imperialismo moderno tem as suas raízes na acumulação de excesso de capital nos estados europeus durante o século XIX. Este capital em excesso precisava de ser investido externamente para ser produtivo e para a sua protecção tornou-se necessário que o controlo político o acompanhasse.

 

De regresso ao século XXI, Portugal vive uma pré-campanha eleitoral e, por muito que custe ao Dr. Catroga, a discussão será sempre sobre pentelhos porquanto o essencial encontra-se pre-determinado: o capital investido pelos bancos franceses e alemães encontrava-se em risco pelo que foi necessária um controlo político mais estreito para o defender. 

 

Esta colonialização de Portugal é vista favoravelmente por grande parte da população: é um castigo aos lideres, que conduziram o país até aqui, e ao nosso povo bárbaro. Anseiam a vinda de um conjunto de tecnocratas estrangeiros, sem legitimação democrática, a decidir os destinos do país desde que exista resultados. O importante é apenas isso: resultados. A democracia é um mero pentelho neste pensamento, o importante é apenas saber se somos bem governados. 

 

Nem vou discutir aqui se os interesses destes tecnocratas correspondem aos interesses de Portugal mas qual é a diferença entre aceitar isto ou aceitar a sujeição a um déspota iluminado?

publicado por CRG às 15:37 | link do post | comentar
Segunda-feira, 16.05.11

Infinite Jest

What metro Boston AAs are trite but correct about is that both destiny's kisses and its dope-slaps illustrate an individual person's basic personal powerlessness over the really meaningful events in his life: i.e. almost nothing important that ever happens to you happens because you engineer it. Destiny has no beeper; destiny always leans trenchcoated out of an alley with some sort of Psst that you usually can't even hear because you're in such a rush to or from something important you've tried to engineer.

publicado por CRG às 18:34 | link do post | comentar
Quarta-feira, 11.05.11

Countdown

Listas multiplicam-se. As dez melhores músicas, os filmes, os vestidos no casamento real, todo e qualquer motivo serve para fazer uma lista. E todas estas listas são apresentadas em contagem decrescente, que nos tornam indefesos perante a curiosidade em saber qual é o número um.

 

O quotidiano transformou-se também numa série de contagens decrescentes: faltam dois dias para o fim-de-semana, sete horas para acabar o dia de trabalho, quatro horas de sono...O momento perde-se sem o seu usufruto. A atenção prende-se com a próxima barreira, o próximo marco, um mito de Sísifo invertido. 

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publicado por CRG às 12:00 | link do post | comentar
Terça-feira, 10.05.11

J'accuse

Passados mais de 100 anos depois do famoso Caso Dreyfus* - uma França dividida entre os dreyfusard e os anti-dreyfusard, entre os liberais e os anti-semitas - surge um novo caso similar: a equipa técnica da selecção gaulesa, incluindo o seu seleccionador Laurent Blanc, planeava a introdução de quotas, limitação a 30% dos jogadores de origem africanas, caribenhas, etc nos centros de formação; segundo os seus defensores era um plano para promover jogadores de "cultura e história francesa". 

 

Porventura terão esquecidos que a história francesa de futebol foi construída pelos pés de Zidane, descendente argelino, de Platini, descendente italiano, de Henry, Tigana, Thuram, Vieira...

 

Para já sabe-se que o seleccionador francês foi ilibado de qualquer responsabilidade porquanto seria a sua primeira reunião desse tipo, e não teria qualquer opinião quanto a esse assunto nem qualquer projecto.

 

Nenhuma opinião? Uma orientação xenófoba não pode ser tratada de um modo neutral, deveria ter recusado de imediato, apresentado a sua oposição clara e sem rodeios. O mero ponderar de uma outra solução deveria implicar a sua imediata demissão do cargo que ocupa, bem como a demissão da própria estrutura da federação. 

 

 

 

 

 


 

* Entre diversas consequências originou a criação da Volta à França em Bicicleta

publicado por CRG às 14:33 | link do post | comentar
Quinta-feira, 05.05.11

O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o Seu Esplendor

Descubro que o êxito e o fracasso são uma e a mesma cadeia e em tudo. O êxito para cima, o fracasso para baixo, e quando digo baixo digo baixo: sujidões, dívidas, vergonhas, podridão, loucura. Mas o que toma tudo igual é que ambas as cadeias se encontram, nada a fazer, meus caros, daqui a cem anos ninguém se lembra.

publicado por CRG às 17:10 | link do post | comentar

"Maricas!"

 

 

 

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publicado por CRG às 15:54 | link do post | comentar
Quarta-feira, 04.05.11

...and Justice for All

Sabemos que em Portugal a Justiça anda pelas ruas da amargura, vilipendiada e atacada por todos os lados. Infelizmente nem a própria "palavra" escapa a tais mal tratos. Apelidem de todas as formas e feitios elogiosos a morte do Bin. Pode ser vingança, pode ser guerra, pode ter sido catártico mas nunca pode ser considerado justiça.

 

Justiça é tudo menos aquilo: matar um homem desarmado. Será que os mesmos que consideraram tal acto como justiça julgam que a pena de morte é uma barbárie.

 

Poderão afirmar que se trata de um caso excepcional, que ele era o responsável por milhares de mortos em todo o mundo e que planeava ainda mais ataques, pelo que salvou-se mais vidas.

 

Mas mesmo acreditando que a pena de morte é a punição justa para estes crimes - o que não discuto por agora - , para existir justiça torna-se necessária a existência de um julgamento (Nuremberga, por exemplo): o que sucedeu foi uma execução sumária.

 

Há, porém, uma corrente de pensamento que considera que alguém que tem o objectivo claro de destruir uma outra sociedade não tem direito a usufruir dos direitos que esta pressupõe, encontra-se, deste modo, fora do "sistema". 

 

Eu discordo em absoluto, os princípios de uma sociedade apenas são verdadeiramente testados em situações de excepcionalidade, como era o presente caso, e parece que voltamos a falhar.

publicado por CRG às 13:27 | link do post | comentar
Segunda-feira, 02.05.11

A morte saiu à rua

Sempre considerei que os funerais (os católicos, por serem os únicos que presenciei), para além de serem uma grande seca, tinham em si um enorme grau de hipocrisia: o falecido teria agora vida eterna junto do Senhor, sem FMI nem outras preocupações, e nós aqui tristes por ele?!! A única explicação plausível para este fenómeno: porventura as pessoas não estão assim tão seguras que esta lenga lenga do céu seja verdadeira. 

 

Eu, como não religioso praticante, gostaria que o meu funeral (um dia terá que acontecer, segundo as minhas contas lá para 2327*) seja a celebração da minha vida em vez de se centrar exclusivamente no pesar da minha morte: seria fantástico, por estas razões indicadas, que aquando da minha morte as pessoas, um pouco por todo o mundo, fossem para a rua festejar, como fizeram ontem relativamente ao Osama. Como sou humilde, bastava-me, vá lá, uma pequena festa em casa com bastante cerveja, uns mini rissois de carne e um bolito.

 

* De acordo com estudos científicos cada cigarro que se fuma tira 7 minutos de vida. Ora, tendo em conta que nunca fumei estou diariamente a aumentar a minha esperança de vida 140 minutos (no pressuposto de não fumar um maço por dia).

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publicado por CRG às 14:28 | link do post | comentar | ver comentários (1)

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