Tempos Modernos

Um dos grandes feitos dos ideólogos liberais foi transformar as empresas em entidades benignas de criação de emprego. Longe vão os tempos do conceito marxista da mais-valia - a diferença entre o valor do produto e a soma do valor dos meios de produção e do valor do trabalho - e da exploração do homem pelo homem. 


Neste sentido, as políticas públicas devem acarinhar estas ONGs de emprego, se possível dando-lhes incentivos fiscais, não as taxar ou, no mínimo, reduzir o IRC a níveis simbólicos.

 

Sucede que o emprego não é um objectivo das empresas, é uma obrigatoriedade, um efeito, um mal menor necessário para a criação de riqueza. Atenção, há excelentes empresas, que tratam os seus trabalhadores de forma excepcional, procurando dar-lhes as melhores condições, monetárias e não só. No entanto, o seu objectivo - legítimo - é fazer dinheiro, obter lucro.

 

Esta importância exagerada dada às empresas em detrimento dos restantes actores desequilibrou perigosamente o sistema. Tal como naquela história de crianças sobre qual é o órgão mais importante do corpo humano, também aqui todos os intervenientes são imprescindíveis. E, enquanto não for reposto o equilíbrio a presente crise não será ultrapassada.

publicado por CRG às 17:03 | link do post | comentar