Patriotismo abrangente

Heinrich Heine, poeta alemão do século XIX, escreveu o seguinte texto sobre o patriotismo alemão:

 

Fomos ordenados a ser patriotas, e logo nos tornamos patriotas, porque nós sempre obedecemos aos comandos dos nossos príncipes. Mas não se deve supor que a palavra "patriotismo" significa o mesmo na Alemanha como na França. O patriotismo dos franceses consiste no seguinte: o aquecimento do coração e, através deste calor ele se expande, se alarga de modo a englobar, com o seu amor todo-abrangente, não só o mais próximo e querido, mas toda a França, toda a civilização. O patriotismo dos alemães, ao contrário, consiste na redução e contracção do coração, assim como couro se contraí no frio; em odiar os estrangeiros, em deixar de ser europeu e cosmopolita, e na adopção de um germanismo tacanho e exclusivo.
Neste momento de reduzida soberania nacional a discussão de alternativas é inconsequente se não pugnarmos por uma mudança clara do patriotismo europeu - um patriotismo que se alargue. Porque uma união baseada na divisão entre credores e devedores é insustentável.

Da mesma forma que num grupo de trabalho cada elemento julga erroneamente que o seu contributo é superior ao dos restantes e que não lhe é dado o devido mérito, na União Europeia os países do Norte da Europa pensam o mesmo. 

Este sentimento corrente advêm de um viés cognitivo designado como heurística de disponibilidade: é-nos mais fácil recordar das nossas acções, estão presentes, disponíveis de imediato ao nosso pensamento do que as acções de outrem. 

Com este viés os referidos países sesquecem-se o que têm ganho - nomeadamente a Alemanha com a reunificação, dando paridade do marco alemão à ex-RDA -, o que ganham e o que continuariam a ganhar com a manutenção de uma união europeia.
publicado por CRG às 11:58 | link do post | comentar