No eterno conflito entre a pessoa que somos e a pessoa que queremos ser há, como em todos as guerras, batalhas ganhas e batalhas perdidas. Algumas que nem chegam a ser travadas; perante um determinado acontecimento a rendição é a alternativa mais prudente.

 

Eu gostava de ser como aquelas pessoas que repudiam a rotina, que pulam constantemente entre vidas, que anseiam novos desafios, intrépidos viajantes do devir.

 

Mas não sou assim. O encerramento do café onde passava as minhas pausas de almoço forçou-me a admitir que não sou assim. Eu gosto de rotinas, da familiariedade da mesma mesa, o pedido que se torna dispensável. E, agora, ao frequentar outros cafés há um sentimento de desconforto, falta de pertença, fiquei orfão de café, que depois de todos os outros tipos de orfandade é o pior. 

música: "Só", Jorge Palma
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