Temp

Vivem-se tempos indefinidos, ou melhor, não se vivem, foram ultrapassados, está-se para além do tempo, tudo é pós: pós moderno; pós religioso; pós político; pós ideológico.

 

O nosso Zeitgeist é um vazio, uma ausência, a página em branco no fim de um livro. Nada acontece. Susta-se a respiração, hiberna-se em distracções várias e espera-se que este Inverno do descontentamento passe rápido.

 

A vida transformou-se numa infinita sala de espera, tudo é temporário, os cortes são temporários, os empregos temporários...

 

Enquanto se aguarda sobrevive-se: o entusiasmo substituído desolação; a coragem pelo medo oriundo da incerteza; a inocência pelo cinismo, ou, nas palavras de Lyotard “a incredulidade perante metanarrativas”.

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publicado por CRG às 13:07 | link do post | comentar