Mex

Em "Shipping Out" David Foster Wallace descreve ironicamente os excessos e o suposto divertimento que um cruzeiro de luxo de sete dias lhe deveria ter dado. Imbuído desse espírito vou tentar (e falhar) descrever à moda de Wallace a semana que passei num Resort de cinco estrelas na Riviera Maya, México.

 

IDA

 

Quando soube que a partida fazia-se desde Lisboa senti um calafrio que correu por toda a minha coluna. Eu já sabia que Portela era conhecido como o triângulo das Bermudas da bagagem, o que não sabia é que também fazia desaparecer placas informativas: em vão procurei uma qualquer sinalética que me levasse ao Parque n.º 5. Felizmente após um número indeterminado de voltas e inversões de marcha apareceu, à minha direita, no meio da neblina (pensando melhor é possível que não tivesse existido neblina), uma entrada de um parque estacionamento. "Espera...que número é aquele? É o cinco! É o parque cinco", gritei eu efusivamente como se tivesse acabado de ganhar o primeiro prémio do Euromilhões.

 

Resolvido este percalço peguei na trela da minha mala e dirigi-me para o terminal..argh..e agora..esquerda ou direita?..a minha ingenuidade não tem fim: como se existissem placas a indicar o caminho para o terminal, como se existissem placas nesta terra. Uma sensação parecida com os estudantes do Blair Witch Project invadiu-me o pensamento: vou passar as férias a vaguear por estas ruas - confesso que esta é a versão limpa, no original havia mais algum vernáculo.

 

Uma dose de sorte e depois de muita tentativa e erro lá consegui encontrar o terminal, fazer o check-in em tempo e embarcar antes que as colunas do aeroporto pronunciassem uns sons parecidos com o meu nome. 
Sentado, de cinto colocado estava pronto para uma longa viagem...
publicado por CRG às 11:15 | link do post | comentar