Plástico

Durantes anos os alunos portugueses foram obrigados a decorar os rios, os afluentes e as estações de caminhos de ferro de Portugal; eu ainda me lembro de ter sido obrigado a decorar as minas de Portugal, o que me tem servido para pouco mais do que como desbloqueador de conversa.

 

O ensino muitas vezes parece que se limita a fornecer chaves para fechaduras que já deixaram de existir, o que se tem agravado com a obsessão de exames nacionais. As aulas transformaram-se em sessões de preparação para exames, que são o fim em si mesmo e já não o meio de aferir conhecimentos.

 

Ao mesmo tempo, o ensino limita-se a transmitir dados, factos, e menosprezando a imaginação e a criatividade (por exemplo a redução da Educação Visual e Musical), sob o desígnio de fornecer mão-de-obra especializada: produção de técnicos, não cidadãos, unidimensionais, meros instrumentos de plástico. 

 

O que não deixa de ser irónico visto que o plástico apenas é possível porque Kekule, químico alemão que estudou arquitectura - sendo essa, para muitos, a sua mais valia na sua descoberta mais famosa - sonhou a estrutura química do Benzeno.

 

Felizmente, ainda há alguns locais que olham para a escola de maneira diferente.

 

publicado por CRG às 12:48 | link do post | comentar