De regresso

E pronto, parece que se não contribuir activamente para a existência deste blog, serei afastada do projecto, convidam-me a sair ou perguntam: - “Então tu afinal ainda estás em força? Fazes parte? És da equipa?”

Ler os posts deixou de ser suficiente, há que participar, há que exercer uma cidadania activa em prol da defesa da democracia do blog e eu, como boa cidadã telecomandada, e porque estou a protelar umas quantas de tarefas, cá estou a escrever.

Quanto a Nova Iorque, que já foi há bastante mais tempo do que parece, devo um grande pedido de desculpas (semi-público) ao JSP, um companheiro de viagem muito paciente mas que eu acho que desiludi um pouco. Quem me conhece, sabe que eu gosto de viajar, é o meu vício e a minha perdição, o meu escape e a minha realização, quando não sei o que fazer lá embarco numa viagenzinha para animar os ânimos, coisa que, normalmente, funciona.

Por muitos e variados condicionalismos, esta viagem a dois a Nova Iorque conheceu alguns percalços; duvidámos muitas vezes se a devíamos realizar e apesar de, armados em optimistas, nos metermos no avião que não amarou, eu continuava a achar que não devia estar a fazer aquilo. Convenhamos - desempregada e com pouco fundo de maneio! A ida a Nova Iorque, era (foi) um abalo às minhas, já de si muito abaladas, finanças. Mas fui, com a certeza de que uma vez lá, nem sequer me lembraria dos ditos condicionalismos. A viagem correu muito bem, apesar do frio e do recolher um pouco prematuro e da nossa falta de visão no que toca à diversão nocturna... Por falar nisso Jorge, na Bleecker Str havia um teatro com espectáculos de stand-up comedy.

O certo é que, apesar de tudo, às vezes lá pensava que não devia estar ali e me senti culpada. Felizmente não influenciei o JSP ou ele disfarçou, aka mentiu, muito bem.

E como me estou a pôr em dia com os assuntos do blog:  – “Concordo com a mudança; ninguém está em Barcelona ou quer ir para lá.” Parece, aliás, que o plano geral é ficar pelo Porto, pela minha parte, garanto que até Abril terão a oportunidade de sobrepor a Torre dos Clérigos a uma imagem de qualquer outra cidade, ainda não sei qual mas alguma há-de ser.

Sim, porque ao contrário de algumas acusações recentes, eu nem sempre baixo os braços, nem sempre me queixo e quase nunca espero o pior. Penso no pior, o que não significa que ache que vai acontecer. E pelo meu percurso também é fácil adivinhar que já podia ter desistido há mais tempo, ter menos preocupações e contentar-me com muito menos do que o que sonhei. Se acho que o percurso é difícil? – Acho! Se também acho que em alguns aspectos é mais difícil para mim? - Sem dúvida! Mas se o sentimento de realização é recompensa suficiente... - Absolutamente! Só não sei dizer se não recompensaria mais se grande parte do percurso não fosse a solo...

Eu não me considero uma pessimista, quando muito uma optimista com grandes doses de realismo e, como é do conhecimento geral, cada um lida com as coisas à sua maneira. O facto de não falar delas não ajuda, ou a mim não me ajuda, tentei – aliás qualquer manifestação de fraqueza é para mim  uma derrota. Cheguei à conclusão de que não era solução e comecei a partilhar, se partilhei demais e se o que havia a partilhar era negativo? - Pode ser... Se pedi ajuda? - É verdade. Se me queixei e lamentei muito? E se estou a recuperar? - Claro que sim! E os projectos são mais do que muitos.

E é muito provável que isso tenha acontecido porque tirei muita coisa do sistema, porque me repeti até à exaustão, porque não aceitei por muito tempo e parti do princípio que quando estivesse a ser insuportável alguém me avisaria.

Parece que fui insuportável mas só o soube depois, tentarei não repetir a graça apesar de o ser insuportável me ajudar, sempre preferi a raiva à tristeza. Mas fico desde já avisada e agora só partilho as coisas bonitas, alegres e cor-de-rosa – acho que vou ter de vasculhar no baú. E, na minha muito modesta opinião, se já nos conhecemos tão mal, afinal o essencial é invisível aos olhos, não é por deixar de partilhar o pior de nós que tudo se acondiciona da melhor forma.  Além de que há muitos disfarces para um pedido, quiçá desesperado, de ajuda.

E agora as mudanças, e a palavra preferida do CRG – hercúlea ;)

Agrada-me saber que há tanta mudança na vida alheia, espero também que seja uma mudança desejada. Tenho este medo irracional de optar por caminhos que não escolhi, de facilitar mudanças que não previ ou desejei. Parece-me que, ao contrário do CRG, que está envolvido na mudança e que é parte da acção da mesma eu movo-me num mundo que me parece exactamente igual. Até eu permaneço igual e mesmo assim as peças que miraculosamente funcionavam nesse mundo imóvel e imutável deixaram de funcionar, terá sido a passagem do tempo?

Poderá existir algo como uma mudança devido à inacção? Ou melhor, mudança provocada pela imutabilidade?

Eu acredito que o Porto é a minha casa e, no entanto, aqui mais do que em outro lado, a minha vida “é um andar solitário entre a gente”.

PS – Eu não digo que a Scarlet não seja uma deusa moderna, ainda assim, não acho que a fotografia escolhida seja a melhor representação da figura. Compreendo, contudo, que as hormonas masculinas sejam “exigentes”...
 

publicado por ainquietudedesofia às 14:35 | link do post | comentar