Desde o jurássico

Parafraseando a personagem de Jeff Goldblum em Jurassic Park " A vida alegria encontra sempre uma forma". Em qualquer circunstância, por mais penosa ou sombria, é essencial a existência de um escape, uma festa, uma alegria, uma simples gargalhada para que a vida seja um pouco mais suportável. Não se trata de optimismo ou de esperança, mesmo na ausência de uma luz ao fundo do túnel surgem sempre raios de alegria: uma festa de escravos numa plantação ou um casamento num campo de concentração.

 

Até Salazar percebeu isso e tentou controlar estes raios de alegria com a FNAT (Fundação Nacional para Alegria no Trabalho), actualmente INATEL, que geria os tempos livres dos trabalhadores mediante o uso de colónias de férias, passeios, excursões, ginástica e educação física, espectáculos de música e teatro, visitas de estudo, instalação de bibliotecas popular, cursos de cultura profissional em geral, música e canto coral.

 

A redução de feriados e agora o "cancelamento" do Carnaval1 corresponde a uma visão utilitarista da sociedade: a maximização de um determinado sistema e eliminar o que se considera (erroneamente) supérfluo, ineficiente e acessório como o lazer e festas que abrangem a comunidade.

 

Com a carência de pão e agora retirado o circo a pressão vai-se instalando, crescendo sem indícios até que um dia explode sem que seja possível prever as suas consequências. 

 

Acresce que esta visão, para além de ser perigosa, é ineficaz: a resolução da presente crise não passa por trabalhar mais mas por trabalhar melhor. 

 

1- Eu não gosto do Carnaval, sobretudo aquele carnaval português com sotaque brasileiro, samba e bikinis enquadrados por chuva, frio, e casacos.

publicado por CRG às 15:28 | link do post | comentar