Momentos Kodak

Kodak apresentou-se à insolvência. Puxo pela memória e mesmo assim não me consigo recordar a última vez que mexi num rolo de fotografia, que abri a tampa de uma máquina fotográfica, retirei o rolo para o colocar no pequeno tubo preto de plástico pronto para a revelação. 

 

Não foi apenas mais um pedaço da infância que se perdeu com esta insolvência, mais importante do que isso, foi uma outra forma de ver, de nos relacionarmos com a fotografia.

 

Nos tempos do rolo a fotografia era misteriosa (confiava-se que tinha saído bem), especial, singular, pensava-se duas vezes antes de tirar uma, estava reservada para aqueles momentos, momentos Kodak. Actualmente, a fotografia é uma comodidade sem valor, banal, corrente, descartável.

 

E era sobretudo especial porque envelhecia tal como nós. O papel repercutia o decurso do tempo, tornava-se antigo, gasto, perdia alguma cor: não só nos trazia para o passado com as recordações impressas como era uma prova física dos anos que passaram.

publicado por CRG às 13:32 | link do post | comentar