Love

 

"Love", em ténis, corresponde ao zero no marcador. Perante esta concepção de amor imbuída neste desporto não surpreende pois que Serena Williams tenha sido a terceira grande campeã, depois de Agassi e Steffi Graff, a admitir que não gosta de ténis.

 

É até natural que num desporto de grande exigência física e mental como este - longas horas de treino, uma época que abrange quase um ano civil, competição praticamente diária, viagens constantes, o seu cariz individual - exista no decorrer dos anos um desencantamento.

 

No entanto, ao contrário do que sucedeu com Borg, aqueles não se cansaram do jogo, simplesmente nunca gostaram; foram empurrados para a sua prática por pais controladores e obsessivos, que os obrigaram desde tenra idade a seguir um esquema de treino intensivo.

 

O sucesso dos filhos é evidente, será que os pais estiveram assim tão mal como à primeira vista parece?

 

Amy Chua, professora de direito em Yale, defende que a melhor forma dos pais protegerem os seus filhos é prepara-los para o futuro através de exercício e treino até à exaustão e depois um pouco mais além, aliado a uma atitude de escárnio, punição e vergonha quando os resultados não são perfeitos. No mundo de hoje altamente competitivo esta seria a única forma de providenciar um futuro melhor aos nossos descendentes.

 

Porventura o problema será precisamente o mundo que estamos a deixar aos nossos filhos, que tal como no ténis love não significa nada e o ganhar e ser número um é a medida e fim de todas as coisas.

publicado por CRG às 15:36 | link do post | comentar